TEMPO, GÊNERO E DESIGUALDADE: Interseccionalidades na experiência migratória venezuelana no Brasil

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Este artigo investiga a alocação diária do tempo entre migrantes venezuelanos na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Minas Gerais, com foco nas interseccionalidades de gênero, escolaridade e idade. A pesquisa adota uma abordagem metodológica mista, combinando diários de uso do tempo – analisados por meio de sequenciamento social – com entrevistas semiestruturadas. A análise das sequências identificou três perfis temporais distintos: (1) rotinas lineares e produtivas, associadas a homens empregados formalmente; (2) rotinas híbridas, com sobreposição de atividades remuneradas, domésticas e religiosas, predominantes entre mulheres jovens; e (3) rotinas marcadas por cuidado e investimento em capital humano, associadas a mulheres fora do mercado formal. O teste de Kruskal-Wallis indicou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em relação ao tempo dedicado ao emprego e ao lazer. As entrevistas reforçaram os achados quantitativos, revelando sobrecarga entre mulheres com filhos, ausência de redes de apoio e dificuldades de conciliação entre cuidado, trabalho e autocuidado. Os resultados destacam o tempo como uma lente crítica para analisar desigualdades estruturais na experiência migratória, apontando para a necessidade de políticas públicas efetivas sensíveis às múltiplas dimensões do ciclo de vida e às desigualdades de gênero.

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Instituciones
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eje Temático
  • 11.3 Trabajo de cuidados, organización social y sociedad del cuidado
Palabras Clave
Migrações forçadas
Uso do Tempo
Gênero
Interseccionalidades
Trabalho de cuidados