Panorama recente das reações adversas a medicamentos no Brasil (2018–2024)

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O uso de medicamentos apresenta diferenciais por sexo e idade, refletindo padrões demográficos e epidemiológicos que estruturam a relação das populações com o cuidado em saúde. Estudos apontam que as mulheres tendem a utilizar mais medicamentos do que os homens, em diversas classes terapêuticas, devido a necessidades específicas de saúde, maior prevalência de determinadas morbidades e maior frequência de uso dos serviços ao longo do curso de vida. Essas diferenças se tornam ainda mais relevantes em um cenário de transição demográfica e epidemiológica avançada, marcado pelo envelhecimento acelerado, pela multimorbidade e pela expansão da polifarmácia, processos que reconfiguram a estrutura de saúde populacional e ampliam a importância de compreender como a distribuição das reações adversas a medicamentos (RAMs) se relaciona com a composição etária e com os diferenciais por sexo. Apesar da magnitude das RAMs, que internacionalmente chegam a estar associadas a dezenas de milhares de óbitos anuais, a literatura ainda é escassa e fragmentada, com predominância de estudos clínicos ou recortes específicos que não permitem captar os padrões populacionais de ocorrência e gravidade desses eventos. A ausência de análises sistemáticas com enfoque demográfico dificulta a compreensão de como os processos de envelhecimento da população, a distribuição desigual das condições crônicas e os diferentes níveis de exposição aos medicamentos moldam a vulnerabilidade das reações adversas. No Brasil, esse vazio é relevante, dada a combinação entre mudanças rápidas na estrutura etária, ampliação do acesso a medicamentos, persistência de desigualdades de saúde e crescente pressão sobre os sistemas de vigilância. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo analisar a base de dados de Farmacovigilância do Brasil, desde 2018, para avaliar os aspectos demográficos associados às RAMs, com ênfase na distribuição segundo sexo, idade e gravidade dos eventos notificados. Ao explorar uma base nacional e contínua de registros, busca-se identificar como a composição demográfica do país e os diferenciais populacionais de saúde influenciam a ocorrência das RAMs e a severidade dos desfechos. Os resultados esperados visam subsidiar políticas de vigilância e de uso racional de medicamentos, fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde e fomentar o debate latino-americano sobre segurança do paciente em contextos de rápido envelhecimento populacional e elevada carga de doença, nos quais é crescente a proporção de pessoas que convivem simultaneamente com múltiplas condições crônicas.

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Instituciones
  • 1 CEDEPLAR/UFMG
  • 2 Vienna Institute of Demography
Eje Temático
  • 1.1 La transición de la salud en América Latina
Palabras Clave
Reações adversas a medicamentos
Farmacovigilância
Demografia da saúde
Diferencias de Gênero
Mortalidade