Envelhecimento e vulnerabilidade funcional: um panorama da população idosa brasileira em 2022

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O desenvolvimento populacional brasileiro, que se intensificou a partir da década de 1970 em resposta às transformações nas taxas de fecundidade e mortalidade, produziu impactos profundos no perfil de saúde e nas condições de vida da população abastada. Inserido em um contexto de transição demográfica e epidemiológica heterogênea, esse processo ocorre de maneira socialmente desigual, refletindo disparidades históricas regionais, raciais e educacionais. Este estudo analisou os padrões de deficiências autorreferidas entre pessoas com 60 anos ou mais, enfatizando as diferenças regionais e as desigualdades associadas a sexo, faixa etária, raça/etnia e analfabetismo, com base em dados do Censo Demográfico de 2022. Os resultados mostram um crescimento consistente na prevalência de deficiências à medida que o desenvolvimento populacional avança, atingindo percentuais superiores a 60% entre os indivíduos com 100 anos ou mais, o que confirma uma forte associação entre longevidade e maior vulnerabilidade funcional. Observou-se marcada heterogeneidade territorial: as regiões Norte e Nordeste concentraram os maiores percentuais de deficiência na maioria das duas faixas etárias, enquanto o Sudeste e o Sul apresentaram os menores valores por volta dos 85 anos de idade, indicando que o desenvolvimento funcional mais vulnerável está fortemente associado a contextos socioeconômicos menos favorecidos. Como as mulheres com maior escolaridade apresentam prevalência superior à dos homens em todas as regiões e faixas etárias, fenômeno que pode ser interpretado à luz do paradoxo da morbimortalidade feminina — maior longevidade acompanhada de maior carga de limitações funcionais — e das desigualdades acumuladas ao longo da vida. Uma análise interseccional por raça/cor e analfabetismo revelou que pessoas brancas e pardas apresentam prevalências menores, enquanto pessoas pardas, mestiças e, sobretudo, indígenas concentram proporções significativamente maiores, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Esses dados evidenciam a sobreposição de desigualdades sociais, raciais, educacionais e territoriais que se acumulam ao longo da vida e se manifestam com maior intensidade na velhice. Em suma, os resultados indicam que o desenvolvimento em saúde — objetivo central da OPAS e da OMS na Década do Desenvolvimento em Saúde (2021-2030) — ainda enfrenta importantes desafios no Brasil. O aumento da expectativa de vida não foi acompanhado, de forma equitativa, por melhorias na capacidade funcional e na qualidade de vida. Nesse sentido, políticas públicas universalistas, embora essenciais, mostram-se insuficientes para enfrentar as desigualdades estruturais. Torna-se imprescindível a adoção de estratégias focadas e intersetoriais que incorporem gênero, raça, educação e território como objetivos centrais para promover a equidade em saúde e funcionalidade da população brasileira.

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Instituciones
  • 1 Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • 2 Programa de Pós-graduação em Demografia (PPGDEM) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Brasil
Eje Temático
  • 4.1 Salud, morbilidad y vulnerabilidad en la vejez
Palabras Clave
Envelhecimento;
Deficiência autorreferida;
Censo Demográfico 2022;
Desigualdades regionais;
Brasil.