Domicílios unipessoais no Brasil: Determinantes

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O aumento dos domicílios unipessoais constitui uma das transformações sociodemográficas mais relevantes das últimas décadas, estando associado à transição demográfica, ao envelhecimento populacional e às mudanças nos padrões de formação e dissolução das famílias. No Brasil, essa tendência se expressa tanto na redução do tamanho médio dos domicílios quanto na rápida expansão do número de pessoas vivendo sozinhas, com implicações diretas para a demanda habitacional e para a organização social do território. Este artigo tem como objetivo estimar a probabilidade de indivíduos viverem em domicílios unipessoais no Brasil, com base nos microdados do Censo Demográfico de 2010 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) de 2024. Especificamente, busca-se analisar o papel da idade, sexo, estado conjugal, escolaridade, renda e condição de atividade na configuração desse tipo de arranjo domiciliar. A estratégia metodológica combina análise descritiva e modelagem estatística por meio de regressão logística binária, na qual a variável dependente distingue entre viver em domicílio unipessoal e outros arranjos domiciliares. Os resultados indicam que viver sozinho é um fenômeno fortemente estruturado pelo ciclo de vida e pelas trajetórias conjugais. A idade emerge como o principal determinante nos dois períodos analisados, com aumento progressivo da probabilidade de viver só ao longo do ciclo de vida e efeito particularmente intenso nas idades mais avançadas em 2024. Observa-se ainda forte associação entre a condição de viver sozinho e situações de separação, divórcio e viuvez, corroborando interpretações associadas à Segunda Transição Demográfica. Homens apresentam maior probabilidade de residir sozinhos em comparação às mulheres, enquanto níveis mais elevados de renda ampliam significativamente as chances desse arranjo domiciliar, evidenciando a importância da autonomia econômica. Em conjunto, os resultados reforçam que a expansão dos domicílios unipessoais decorre da interação entre mudanças demográficas, familiares e econômicas, indicando a necessidade de incorporar essas transformações ao planejamento de políticas públicas, especialmente nas áreas de habitação, envelhecimento e proteção social.

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Instituciones
  • 1 Universidade Federal Fluminense
Eje Temático
  • 9.1 Población, vivienda y comportamientos residenciales
Palabras Clave
arranjos domiciliares
tendências demográficas
envelhecimento
comportamento residencial
morar sozinho