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Introdução
A dinâmica populacional dos municípios do estado do Amazonas é marcada por extensões territoriais amplas, baixas densidades demográficas e forte dependência das vias fluviais como principal meio de transporte e acesso a serviços. Nessa configuração, compreender o crescimento populacional exige considerar não apenas fecundidade e mortalidade, mas também a migração entre municípios, que influencia diretamente a redistribuição interna da população.
Entre os censos de 2000, 2010 e 2022, observa-se grande heterogeneidade municipal de crescimento, estagnação ou perda populacional. Os deslocamentos dentro do próprio estado configuram trajetórias temporárias ou permanentes que reorientam a distribuição espacial da população, alterando o equilíbrio entre entradas e saídas municipais e explicando parte das variações intercensitárias. Esses padrões refletem diferenças na capacidade dos municípios de atrair ou reter população, sendo características especificas do estado de Amazonas brasileiro.
Além disso, a redistribuição populacional pode estar influenciada pelas alterações e pela maior frequência de eventos climáticos extremos, como secas severas e enchentes prolongadas. Esses eventos afetam a circulação fluvial, os meios de vida e as condições de permanência em determinados municípios, podendo intensificar deslocamentos internos que impactam os saldos populacionais municipais.
Entender essas tendências é indispensável para análises espaciais em escalas mais finas. Assim, o estudo municipal constitui a base para poder interpretar o crescimento populacional observado na Grade Estatística do IBGE (2010 e 2022), na qual a população está estratificada em quatro categorias — urbano/rural e várzea/não várzea (buffer de 5 km). A análise municipal permitirá avaliar se os padrões identificados na Grade se relacionam à mobilidade populacional e ao possível efeito dos eventos climáticos extremos.
Hipótese: as variações no crescimento demográfico municipal entre 2000, 2010 e 2022 podem ser explicadas, em parte significativa, pelos fluxos migratórios intermunicipais, potencialmente influenciados pela maior frequência de eventos climáticos extremos, redistribuindo a população conforme oportunidades, acessibilidade e condições territoriais específicas do Amazonas.
Objetivo
Analisar como o crescimento demográfico dos municípios do Amazonas entre 2000, 2010 e 2022 se relaciona aos fluxos migratórios intermunicipais, identificando padrões de atração e expulsão populacional. Busca-se compreender de que modo a mobilidade interna contribui para explicar as diferenças de crescimento municipal e fornecer base empírica para interpretar a distribuição da população nas Grades Estatísticas de 2010 e 2022 (urbano/rural; várzea/não várzea), considerando potenciais efeitos da intensificação dos eventos climáticos extremos.
Metodologia
A pesquisa utiliza dados:
– Censos (2000, 2010 e 2022), com dados de população total, domicílios, composição por sexo e município de residência anterior;
– Indicadores migratórios municipais, como saldo migratório, taxas de imigração e emigração e deslocamentos entre municípios do estado;
A metodologia compreende quatro etapas: (i) análise comparativa do crescimento municipal 2000–2010 e 2010–2022; (ii) cálculo e interpretação dos indicadores migratórios; (iii) cruzamento entre crescimento e migração, estimando quanto da variação populacional decorre dos fluxos migratórios; (iv) identificação de padrões espaciais de redistribuição interna.
Os resultados orientarão a etapa seguinte, permitindo interpretar como essas tendências municipais se expressam na Grade Estatística e em que medida podem estar associadas à mobilidade influenciada por eventos climáticos extremos.
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