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O monitoramento das cargas de treinamento (CT), durante o processo de treinamento esportivo, fornece dados acerca das adaptações promovidas no processo, possibilita compreensão de respostas individuais ao treinamento, reduz os riscos de más adaptações, lesões e doenças, e permite o gerenciamento adequado das CT (BOURDON et al., 2017; KELLMANN et al., 2018).As atletas de Ginástica Artística Feminina (GAF) passam por longos anos de preparação e iniciam muito jovens o processo de treinamento (PATEL et al., 2021). Diversas variáveis permitem acessar a CT na modalidade, tais como, carga horária diária e semanal, frequência de sessões de treino e, quantidade, carga mecânica e grau de dificuldade de elementos executados (MALINA et al., 2013). Porém, observa-se uma lacuna em parâmetros internos ou fisiológicos e, treinadores apontam a complexidade e variedade do treinamento como aspectos que dificultam o monitoramento das CT.Uma melhor compreensão da dinâmica das CT na GAF, sobretudo, avaliada a partir da especificidade da prescrição do treinamento, permite ajustes efetivos das CT e minimiza riscos de adaptações negativas. Sendo assim, esse estudo tem como objetivo quantificar e analisar a carga externa de treinamento (CET) de jovens atletas de GAF. Sete ginastas (11,3 ± 0,4 anos), representantes da elite da Ginástica Artística brasileira, tiveram 5 microciclos de treinamento monitorados (3 pré competição e 2 pós competição), totalizando 25 sessões de treino, de forma intercalada. A carga externa de treinamento foi obtida através de registro por filmagem e, contabilização posterior do número de repetições dos elementos, que fazem parte do regulamento do Campeonato Brasileiro para a categoria 11-12 anos, em cada aparelho (Solo, Salto, Paralelas Assimétricas e Trave de Equilíbrio) e total de elementos da sessão. O número total de repetições de elementos nos quatro aparelhos variou de 864 ± 352 a 1200 ± 316 por microciclo; diferenças de “moderada” magnitude entre os microciclos para as variáveis de CET (p<0,05; Kendalls W= 0,3 a 0,5), exceto para o aparelho paralelas assimétricas (p>0,05). Comparações pareadas com post-hoc de Conover não reportaram diferenças significativas entre os pares de microciclos para os aparelhos solo e paralelas assimétricas (p>0,05). Para os demais aparelhos observou-se redução com “grande” força (p<0.05; Cohen d= 1,5 a 2,9) na magnitude de respostas no M4 em comparação aos microciclos M3 (trave e salto) e M1 (total elementos); diferenças de variação individual para todas as variáveis de CET, já que as atletas apresentam aumento ou diminuição no volume de repetições de elementos de forma diferenciada.Conclui-se com o presente estudo que as atletas da GAF foram expostas a altas CT, com pouca variabilidade entre os microciclos, e as respostas às mesmas se mostraram de forma individualizada. Tal fato pode se relacionar com o processo individual de aquisição de habilidades e elementos, e, questões individuais referentes a características físicas, dificuldade técnica, falhas coordenativas e aspectos psicológicos ligados ao medo e insegurança.A partir dos dados dessa pesquisa, equipes técnicas podem vislumbrar a possibilidade de um monitoramento das CT na Ginástica Artística que seja mais condizente com a realidade de prescrição de treino.
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