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A ginástica artística possui características peculiares com diferentes demandas na execução de elementos técnicos que exigem o uso de capacidades físicas específicas. Estudos prévios têm mostrado a importância da identificação e caracterização de lesões musculoesqueléticas (LM) associadas com a prática de ginástica artística. O objetivo deste estudo foi analisar a prevalência de LM entre ginastas. Trata-se de estudo transversal retrospectivo de natureza descritiva observacional, com amostra de conveniência. A casuística integrou 67 participantes, com idade entre 8 e 17 anos, sendo 49 da categoria feminina e 18 da categoria masculina, procedentes de dois centros de treinamento de Campo Grande, MS. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (CEP/UFMS), sob parecer nº 5.013.655. Além de avaliação antropométrica, foi aplicado um questionário para identificação de casos retrospectivos de LM. Para análise dos resultados, foi utilizado o teste Z para comparação de proporções absolutas e relativas (%). O nível de significância foi estabelecido em p<0,05. Um total de 34 casos de LM foi obtido a partir de relatos de 23 participantes (34,3%), culminando em 0,51 lesão/participante e 1,49 lesões/participante lesionado. Deste montante, oito (8) sujeitos relataram pelo menos dois casos retrospectivos de LM, enquanto outros 65,2% (15) referiram apenas um caso retrospectivo de LM. De acordo com estudos anteriores, tem-se maior ocorrência de lesões em membros inferiores em ginastas da categoria feminina, enquanto locais em membros superiores se destacam entre ginastas masculinos. No presente estudo, verificou-se maior número de lesões em membros inferiores para ambos os sexos (n=20; 58,8%; sendo 11 casos de LM em tornozelo/pé, 55%). Como mecanismo causal de LM, os exercícios em solo constituíram as principais circunstâncias para o surgimento de lesões esportivas (n=27; 79,4%), em ambas as categorias, feminina e masculina (p=0,012). Nossa investigação envolveu um número considerável de jovens participantes classificados como “não-elite”, de acordo com definição anterior. Em geral, essas ginastas são submetidas a maior demanda em termos de treinamento de elementos de aprendizagem, com foco no desenvolvimento de habilidades físicas básicas. Como resultado, enfatizar exercícios nos membros inferiores em comparação aos membros superiores é muito comum nessas condições, o que pode estar associado a diversos efeitos biomecânicos. Conclui-se que o treinamento físico regular na ginástica artística provoca adaptações biológicas que permitem aos ginastas obter melhor desempenho, mas essa rotina também os expõe a maiores chances de lesões.
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