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A Ginástica Rítmica (GR) teve sua base de formação na Europa Central (TOLEDO, 2010). Sua chegada ao Brasil em 1953, um país com diversidade de povos e culturas, seguiu as influências dos métodos europeus, a despeito das orientações da professora Ilona Peuker, que pontuou a diversidade do país e a necessidade de um trabalho para além do padrão europeu (PEUKER, 1974). Apesar das recomendações, a diversidade de cores e etnias ainda é palco para reflexões. A falta de representatividade na modalidade perdurou por décadas e nesse contexto o objetivo do estudo é destacar o protagonismo da mulher negra na GR brasileira. Esta pesquisa qualitativa e de caráter histórico, com base no método da história oral (ALBERT, 2004), contou com a colaboração do depoimento da ex ginasta Francielly Machado, que advém de uma dissertação de mestrado já concluída, amplia as discussões para atual doutoramento em andamento e propõe-se abordar o protagonismo dos/as atletas negros/as na Ginástica. A literatura desvela que a primeira ginasta negra brasileira em uma posição de destaque nacional e internacional (na década de 1990) foi Kizzy Antualpa de Campinas (SP) (SARÔA, 2005). Quando estava no auge da sua carreira e se preparava para representar o País no Pan-americano em Winnipeg/CAN (1999) teve que interromper precocemente a sua carreira por causa de uma lesão na cervical (JORNAL DA UNICAMP, 2011). Contudo o legado de representatividade da ex atleta foi um marco e um grande avanço para o esporte; esta segue contribuindo com a Ginástica brasileira abrindo portas para a representatividade da mulher negra, no ensino, na pesquisa e na extensão universitária (ANTUALPA et al., 2021). Após a trajetória de Kizzy Antualpa, a próxima ginasta negra a fazer história na GR de alto rendimento foi a capixaba Francielly Machado, que em 2013 aos 17 anos integrou a seleção brasileira de conjunto e pode representar o país nos Jogos Panamericanos (2015) e nos Jogos Olímpicos (2016) (DIAS, 2019). Nos dizeres da ex ginasta é possível ver o quão significante foi passagem pela seleção: “(...) ser a primeira ginasta negra na seleção de conjunto. Quando eu entrei teve pessoas que comentaram sobre isso: nossa, agora uma ginasta negra para representar a gente! A nação negra do Brasil!” (MACHADO, 2019)”. A lacuna temporal (que separa os auges na carreira de Kizzy e Francielly) trazem uma sensação de vitória, já que está em sua infância, “nunca havia presenciado ginastas com suas características na televisão”. Esses relatos reforçam o quanto era e ainda é preciso caminhar para uma maior representatividade na GR de alto rendimento, e para isso é necessária uma intervenção consciente desde a iniciação esportiva, possibilitando que meninas negras se sintam motivadas a dar continuidade em suas carreiras sem se sentirem desrespeitadas ou inferiores por suas características (VEIGA, 2020). Por vista, nos últimos anos a presença de ginastas negras em posições de destaque tem sido mais frequente (Barbara Domingos, Geovanna Santos e outras) (CBG, 2022), e por isso é importante enaltecer tais ocupações e continuar na luta contra o racismo estrutural no âmbito esportivo e demais esferas sociais. A presença dessas ginastas abalou padrão eurocêntrico (BARBOSA, 2016), rompeu barreiras estéticas e sociais, já que “os olhares surpresos” indicavam que aquele espaço, antes ocupado majoritariamente por brancas, agora também tinha outras cores.
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