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O presente estudo é um recorte de pesquisa de doutorado sobre competições de ginástica rítmica (GR) nas categorias de base, como parte da formação esportiva em longo prazo (REIS-FURTADO, 2020). Partindo dos estudos da Pedagogia do Esporte, tomamos como base o Modelo da Participação Competitiva (LEONARDO; GALATTI; SCAGLIA, 2017), que recomenda a participação em competições na iniciação esportiva em: nível 1: caracterizadas pela ausência de competição formal, pontuação e classificação, proporcionando a experiência para desenvolver o entusiasmo pelo esporte; nível 2: em que os níveis de competição são baixos, existe pontuação e classificação, mas com ênfase principal no desenvolvimento de habilidades e diversão, em vez de resultados. Neste ínterim, apresentamos reflexões sobre eventos ofertados nas fases iniciais da modalidade. Para tanto, a pesquisa foi caracterizada como qualitativa de cunho descritivo, realizada por meio de: Pesquisa documental, com análise de regulamentos de competições ofertadas para a categoria mirim em três federações estaduais do Brasil; Entrevistas semiestruturadas com 11 treinadoras de equipes desta categoria e três gestoras de federações estaduais que realizam esse tipo de evento; Observação não-participante das competições realizadas pelas referidas instituições, com registros em diário de campo. Os dados obtidos foram triangulados, resultando em diferentes tópicos de discussão, dentre eles os aspectos lúdicos nos eventos de iniciação em GR. Os resultados demonstraram que existe unanimidade quanto à participação das crianças em eventos: quanto mais apresentações, melhor para a motivação das ginastas e para a preparação para competições futuras. As treinadoras apontaram os eventos internos, como festivais e apresentações extras como destaque, pelo fato de terem caráter artístico predominante, que se afasta do rigor das regras e exigências técnicas das competições oficiais e trazem um ambiente leve e divertido para as crianças: “[...] é um brincar de fazer ginástica, é uma celebração.” (treinadora 1); “[...] elas se sentem felizes, sem a pressão.” (treinadora 5); “[...] elas se divertem muito mais.” (treinadora 2). Tendo em vista que motivar as ginastas foi objetivo apontado pelas treinadoras e gestoras, traçamos um paralelo dos discursos apontados com a espontaneidade e o prazer inerente ao jogo. Entendemos que os eventos de GR para a categoria mirim, mesmo que já incluam as primeiras noções de competição, devem ser pautados em regras que busquem a diversão como foco central e incentivem momentos de espontaneidade e satisfação, que vão maximizar o prazer pela prática e manter a motivação intrínseca. Observamos nos eventos, que as federações buscaram trazer a diversão por meio da aproximação com a linguagem infantil, com a decoração, presença de personagens, músicas e pela sugestão do uso de fantasias, o que desperta a imaginação e proporciona o envolvimento das ginastas. Assim, repensar os modelos competitivos na infância, apesar de não resolver todos os problemas oriundos do tradicionalismo metodológico que acompanha a ginástica, é um processo essencial na mudança da cultura rígida da modalidade (REIS-FURTADO; CARBINATTO, 2020). É preciso criar espaços para que todas as crianças possam “jogar” ginástica! Jogar e desenvolver competências para o jogo: aprender com a participação; jogar com condições de competir: em nível de competitividade e com exigências adequadas; e jogar com prazer: diversão e motivação.
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