“ENCERREI A MINHA VIDA DE GINASTA COMPETITIVA, E AGORA?” A GINÁSTICA RÍTMICA E A TRANSIÇÃO DE CARREIRA

Vol 1, 2023. - 165790
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Resumo

Graciosa, leve, flexível. Esses são alguns adjetivos lembrados ao pensar na Ginástica Rítmica. Outra característica marcante são os aparelhos utilizados em sua prática: a fita que baila pelo ar, a velocidade das maças, a resiliência da corda, a intensidade do arco e a fluidez da bola. Esse esporte, comumente praticado por mulheres, utiliza da expressão corporal e manejo dos aparelhos para contar uma história, por meio de uma coreografia, a qual é regida por acompanhamento musical. Para tanto, as ginastas de dedicam de forma exponencial no ginásio por anos. Balyi, Way e Higgs (2013) destacam que as ginastas iniciam muito jovens e passam por um processo de especialização precoce antes da maturação óssea. O treinamento é composto por grande volume, intensidade e elevado número de repetições devido a gama de habilidades que são necessárias e, também, por causa da exigência técnica. Essa vivência esportiva, iniciada em tenra idade, influencia de forma preponderante a construção da identidade da atleta, cujo estilo de vida está arraigado na vivência gímnica, inclusive adotando traços, ritos, trejeitos e costumes associados ao esporte, sendo cada vez mais moroso separar o “eu” do “eu atleta”. E, após anos dedicados aos tablados, chega o momento de encerrar o seu ciclo competitivo, seja de forma voluntária ou involuntária. A aposentadoria de um atleta de alto rendimento do esporte é certa e, muitas vezes, ocorre de forma precoce. Rubio (2012) afirma que essa fase da carreira é entendida como um processo que demanda tempo, recursos emocionais e materiais para ser concretizado. Processo esse que, segundo Martini (2012), pode resultar em problemas emocionais e comportamentais em alguns atletas, necessitando de aconselhamento profissional. Apesar dos aspectos negativos, supracitados, Alfermann e Stambulova (2007) ponderam que “o término da carreira é um ponto de virada importante na vida de qualquer atleta, mas não é o único, e nem necessariamente negativo” (p. 712). As autoras também defendem o ato de planejar o fim da carreira com antecedência, encerrar o seu ciclo como atleta de forma voluntária, ter vivenciado outros papéis para além do esporte bem como ter outras identificações e receber o apoio de seu círculo social podem facilitar o processo de aposentadoria do esporte. Dito isto, o objetivo do presente estudo é analisar o processo de transição de carreira, mais especificamente, o momento de aposentadoria do esporte alto rendimento na Ginástica Rítmica. Metodologicamente, optamos pela História Oral temática híbrida. Como colaboradoras, participarão do estudo seis ex-atletas de Ginástica Rítmica da Seleção Brasileira Permanente individual que competiram nos ciclos olímpicos 2013-2016 e/ou 2017-2020. O estudo está em andamento e após a coleta, transcrição e análise das entrevistas, iremos elaborar a dissertação, a fim de beneficiar a todos com a melhor compreensão da Ginástica Rítmica, principalmente, no que concerne a transição que ocorre no momento em que findaram a sua carreira competitiva e escolheram outros caminhos profissionais a partir de então.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal do Espírito Santo
Eixo Temático
  • I. Sociocultural: resumos relacionados à história, filosofia, antropologia, sociologia, política, economia, administração
Palavras-chave
Ginástica Rítmica
Transição de Carreira
Treinamento