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Assim como a maioria dos esportes individuais olímpicos no Brasil, as ginásticas utilizam o ano de nascimento do(a) praticante para agrupá-los(as) em diferentes categorias de competição e/ou treinamento. Dessa forma, atletas que nasceram no início do ano competem com atletas nascidos no final do ano. No entanto, este modelo perde sensibilidade frente aos Efeitos da Idade Relativa (EIR), definido como uma consequência da diferença de idade entre atletas de uma mesma categoria etária, que ocorre por conta da divisão das categorias esportivas de uma determinada modalidade baseada na idade cronológica dos(as) seus/suas praticantes (Werneck, 2017). A presença dos EIR vem sendo estudada no Brasil, e já foi verificada em modalidades individuais e coletivas, e em diferentes níveis esportivos, desde o esporte escolar até o alto rendimento. Tais estudos reforçam a ideia de que o EIR é um parâmetro relevante para a melhor compreensão dos processos de formação de atletas, principalmente no que se diz respeito à organização das modalidades nos diferentes níveis, pensando em uma melhor forma de se desenvolver o esporte e, assim, propiciar uma maior quantidade de atletas com condições de atingir o mais alto rendimento esportivo possível. Assim, o objetivo deste estudo foi analisar o EIR de ginastas olímpicos(as) brasileiros(as) da Ginástica Artística Feminina (GAF), da Ginástica Artística Masculina (GAM) e da Ginástica Rítmica (GR). Esta pesquisa quantitativa descritiva, analisou dados de 58 ginastas (46 mulheres e 12 homens), brasileiros(as), sendo 12 de GAM, 17 de GAF e 29 de GR, que participaram de JO desde a edição de Moscou, em 1980, até a edição mais recente, em Tóquio, 2020. Os dados relacionados às suas datas de nascimento foram obtidos por meio de busca por nome dos(das) ginastas no site Olympedia. Para análise das datas de nascimento, foi aplicado o modelo de categorização do ano por quartis (Janeiro/Março, Abril/Junho, Julho/Setembro e Outubro/Dezembro). No geral, percebeu-se uma maioria de atletas nascendo na primeira parte do ano (55%), sendo o segundo quartil – que contempla os meses de abril, maio e junho – o de maior porcentagem dentre os quartis analisados (31%), corroborando neste sentido com algumas variáveis analisadas em estudos realizados internacionalmente com esta temática. Para a GAM, foi observado um EIR reverso, com a maioria dos atletas nascidos na segunda metade do ano (67%). No caso da GAF e da GR, o EIR se mostrou presente, tanto para a divisão de quartis, quanto para as metades do ano. Nos pareceu existir uma influência institucional relacionado ao desenvolvimento maturacional para a existência de tal efeito, uma vez que para competições internacionais adultas a Federação Internacional de Ginástica considera que uma atleta de GAF ou de GR possa competir no ano em que se completa 16 anos, diferentemente da GAM na qual o atleta possa competir no ano em que se completa 18 anos, e os principais campeonatos da modalidade comumente ocorrem na segunda metade do ano, exigindo do(a) atleta o maior tempo possível de preparação para uma boa atuação neste tipo de evento. Concluímos que os dados identificados nesta pesquisa possibilitam um olhar mais amplo das modalidades analisadas e de um potencial fator atrelado ao sucesso esportivo internacional, norteando entidades responsáveis pelo desenvolvimento das modalidades gímnicas, de forma a potencializá-las em prol de um melhor desenvolvimento em diferentes esferas.
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