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O esporte oportuniza vivenciar momentos de alta importância para o desenvolvimento da autoestima, autoconfiança e controle emocional daqueles que o praticam. E momentos muito propensos para isso são as competições ou eventos de uma modalidade. As emoções vivenciadas nesses momentos por crianças e adolescentes praticantes parecem estar altamente relacionados com a condução oferecida pelos treinadores e pelos familiares. Os pais possuem um papel muito importante para ajudar os filhos a lidarem com os fatores emocionais que o esporte envolve, como para criar a capacidade de superação nos momentos de falha (NUNOMURA e OLIVEIRA, 2014). Entretanto as emoções dos pais também são afetados com os eventos esportivos dos filhos. Isso porque os pais tendem a buscar a proteção e bem-estar dos filhos e sabe-se que momentos competitivos podem levar a fatores emocionais negativos como frustração e autoculpabilização. Além disso, a prática esportiva sofre influência do modelo social produtivista, onde tanto os pais como os filhos são influenciados pela ideia de se atingir o sucesso. Assim sendo, os pais costumam buscar lugares de destaque para seus filhos, tanto por buscar a alegria deles, quanto pelo efeito social que isso traz em uma sociedade de alta competitividade (AMBLARD e CRUZ, 2015). Nesse contexto, entende-se que as atitudes e emoções dos pais frente a esses momentos podem influenciar o emocional dos seus filhos. Portanto, esse estudo objetivou descrever os fatores emocionais dos pais e das filhas em momento de competições ou eventos de ginástica rítmica (GR). Esta pesquisa, aprovada pelo Comitê de ética da ESEF/UFPEL sob parecer nº 5.195.294, contou com um total de 36 participantes, sendo 34 mães e 2 pais de ginastas com idades entre 6 e 21 anos, que praticavam GR no Rio Grande do Sul. Como instrumento de coleta se utilizou de um questionário semiestruturado no Google forms, nele os pais relatavam os fatores emocionais que percebiam nos filhos, bem como as suas emoções em dias de competições e eventos. Em relação aos fatores emocionais percebidos nas ginastas, 77,8% dos pais relataram que percebem suas filhas ansiosas, 58,3% animadas, 36,1% agitadas, 27,8% nervosas, e 11,1% tranquilas. Já em relação ao estado emocional dos pais em dias de competições ou eventos, 52,8% relataram ficar animados, 16,7% nervosos, 13,9% ansiosos, 11,1% tranquilos, 2,8% agitados, e 2,8% ansiosos porém buscando transmitir tranquilidade. Dessa forma, verifica-se que 88,9 % dos pais apresentam alguma mudança emocional derivada dos eventos esportivos das filhas. Além disso, das emoções relatadas para as filhas, houve uma similaridade de 58,3% entre os fatores emocionais dos pais e das filhas. Ademais, verifica-se que, entre as ginastas ansiosas ou nervosas, 51,7% tinham pais animados ou tranquilos, e 37,9% pais ansiosos ou nervosos. O que parece não demonstrar interação entre as emoções dos pais e das filhas. Entretanto, das ginastas animadas ou tranquilas 77,3% possuíam pais animados ou tranquilos, enquanto apenas 27,3% delas possuíam pais nervosos ou ansiosos. Assim, conclui-se que é normal as ginastas ficarem ansiosas ou nervosas, mas certamente pais animados ou tranquilos auxiliam nas ginastas também se manterem animadas ou tranquilas. Ou seja, possivelmente pais que transmitem essa tranquilidade para as filhas ajudam-nas a manter o foco nas questões positivas daquele evento, auxiliando-as num maior controle emocional.
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