Poder, epistemicídio e aquilombamento: como a articulação desses conceitos foi utilizada pelo NCN da Unicamp na construção da sua agenda política nos anos de 2019, 2020 e 2021.

Vol 4 2021 - 137044
Trabalho
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Resumo

Esta pesquisa buscou investigar como o conceito epistemicídio foi construído por Sueli Carneiro (2005). A partir de sua definição, interessava-me observar como o epistemicídio tem sido problematizado pelos coletivos negros da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e, deste modo, pensar as dimensões do racismo que dificultam e/ou interditam a legitimidade do sujeito negro, suas produções e suas formas de conhecimento. A hipótese da pesquisa sustenta que o conceito de epistemicídio é utilizado como fundamento teórico para a mobilização coletiva de estudantes negros da Unicamp. Esses, por sua vez, anseiam um alargamento da democratização universitária e dos conhecimentos nela ensinados.

Apoio/Financiamento da Pesquisa: PIBIC/CNPq

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Autor

Guilherme antunes

Boa tarde Tayná, espero que esteja bem. Agradeço as reações sobre o meu texto. Alguns dos pontos levantados ajudaram-me a refletir sobre as lacunas que sentia que estava deixando, mas não sabia em que lugar estavam.  

Antes de começar a responder os pontos levantados por você, preciso, primeiro, informar que o meu texto disponível aqui na plataforma não se encontra completo por conta do próprio calendário PIBIC/Unicamp quota 2020/21, que solicitou a entrega do paper antes mesmo do término da pesquisa. Por conta disso que algumas passagens ficaram confusas e incompletas ao passo que não demonstram a amarração entre os conceitos e as entidades que encontrei ao decorrer da pesquisa. Ainda assim, confesso que tive uma certa dificuldade em ajustar essas passagens e, por isso, agradeço desde já as indicações da sua dissertação de mestrado e o trabalho da Angélica Inada (que certamente enriquecerão a reflexão do meu trabalho). Ficarei muito contente se você puder ler e comentar o meu trabalho completo, assim poderá ter uma noção maior e melhor do busquei apresentar na pesquisa: a construção da agenda política do NCN nos anos de 2019 a 2021 (deixarei meu e-mail ao final desse texto para mantermos contato, mas também solicito o seu, caso aceitei o meu pedido).  

Isto posto, buscarei agora responder aos pontos levantados por você: 
 
1. Readequação do título e a articulação dos conceitos base da pesquisa (Poder, epistemicídio e aquilombamento). 

Realmente, o título poderia sofrer uma alteração no sentido de incorporar as outras entidades que surgem no texto. Mas no momento da pesquisa percebi que os integrantes do NCN ocupavam (pelo menos no primeiro momento de construção e execução de atividades dessas outras entidades - Bitita e CADER) uma posição de destaque por serem do NCN. No caso do Bitita, ainda que as pessoas não participassem como representantes oficiais do coletivo, a maioria dos que frequentavam o grupo de estudos e ajudavam na escolha do tema a ser estudado, nesses dois primeiros anos, eram do coletivo. Já em relação a CADER, pude observar que a dinâmica que se dava com o NCN era balizada justamente pelos conceitos chaves da minha pesquisa: poder, epistemicídio e aquilombamento. Isso pode ser observado nas ementas das duas edições do “Unicamp Afro”, evento em que o NCN foi um dos organizadores centrais. Logo, a minha hipótese é que a relação que se dá entre essas três entidades observadas: NCN, Bitita e Cader, é toada pela agenda do próprio coletivo. 

Conforme disse antes, essas passagens não aparecem no texto disponibilizado pela plataforma, contudo, aparecem no documento final, nele tentei descrever o movimento acima definindo inclusive cada conceito. 

2. Categoria êmica e narrativas do Campo 

Esse ponto de fato preciso rever pois foi onde encontrei maiores dificuldades na escrita.  

3. Enquadramento teórico de decolonial: o NCN se considera decolonial?  

Em quando pesquisando o NCN no período da pesquisa, não constatei que o coletivo se definia através do conceito de decolonial. Esse termo mais foi utilizado por mim, a partir das definições feitas por Grada Kilomba (2019) e Fanon (2019), para exemplificar as atividades realizadas pelo coletivo. Contudo, é algo que preciso rever.  

4. Mobilização de epistemicídio, no NCN, como continuidade ao invés de novidade 

Agradeço, novamente, as indicações dos textos e da existência de outros coletivos/grupos de estudos, preciso checá-los.  

5. Tempo verbal  

De fato, não me atentei as conjugações verbais e suas possíveis interpretações. Obrigado por chamar a atenção.  

Espero que tenha conseguido deixar mais nítido os pontos levantados anteriormente por você Tayná. Preciso agradecer mais uma vez as reflexões pertinentes levantadas que ainda estão ecoando aqui na minha “caixola” e que certamente farão com que eu retorne com um olhar mais acurado para minha pesquisa. Abraços. 
 
E-mail: [email protected] 

Autor

Guilherme antunes

Boa tarde, espero que esteja bem. Agradeço o comentário elogioso e às reflexões levantadas, Bruno.

Sobre o impacto da implementação e execução das ações afirmativas no perfil dos estudantes negros acredito que ainda saibamos pouco e muito por conta da pandemia. No momento atual, ainda que saibamos da ampliação da entrada de pessoas negras na universidade, a comunidade universitária da Unicamp ainda não sabe quais são esses perfis. Existe uma ideia de como são esses perfis por conta do primeiro ano de cotas em 2019 e dos poucos dados censitários realizados por instâncias da universidade como o SAE (Serviço de Apoio ao Estudante) para a execução das aulas remotas em 2020 e 2021. Contudo, ainda não sei qualificar esse impacto. O que sabemos é que somos em maior número e, nesse sentido, não poderia deixar de citar o papel fundamental da CAVU (Comissão de Averiguação do Vestibular Unicamp), ao garantir a entrada de pessoas negras por ações afirmativas. 

Em relação ao perfil sócio-econômico, eu não utilizei. Não tive folego, tempo e nem sei se a própria universidade, para além do SAE, no que diz respeito as faculdades e institutos, possuem esses dados. Espero que tenham. 

Falar sobre os repertórios dos integrantes do NCN pré-ingresso na universidade, e como eles impactaram na própria dinâmica do coletivo ainda é nebuloso para mim. Afinal sou ingressante do NCN e da Unicamp exatamente em 2019. Ao participar das primeiras reuniões percebi uma baixa quantidade de integrantes antigos (4 no máximo e chutando alto), ao passo que de ingressantes eram 5 ou 6. Desse modo era como se o coletivo, em 2019, estivesse sendo tocado pelos novos integrantes, isso fez com que não soubéssemos se estávamos num sincronia com a antiga configuração do NCN ou não.

A Unicamp precisa melhorar muito sua relação com seus estudantes negros. Costumo dizer que a própria comunidade universitária ainda não sabe lidar com a gente porque ainda não nos conhece. O processo de cotas e vestibular indígena ainda é muito recente (2019 o primeiro ano de execução), logo depois tivemos pandemia e não sei se a universidade se debruçou a olhar com carinho para a população negra como fez com os estudantes indígenas, por exemplo. O que eu vejo é um cenário, ainda, de luta e mobilização para a garantia de uma universidade democrática e diversa racialmente.  

Autor

Guilherme antunes

Muito obrigado, Mônica. Fico contente que tenha gostado.  

Instituições
  • 1 Unicamp
  • 2 Universidade Estadual de Campinas
Eixo Temático
  • HUMANAS
Palavras-chave
Poder
Epistemicídio
Aquilombamento