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Plataforma #MemóriasCovid19
JOÃO FELIPE RUFATTO FERREIRA
UNICAMP
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoConcebido como um crowdsourcing, o projeto #MemóriasCovid19 dedica-se à coleta, difusão e salvaguarda de objetos digitais - desde poemas e testemunhos em prosa até vídeos, gravuras e registros fotográficos - produzidos ao longo da pandemia do novo coronavírus. A pesquisa aqui descrita voltou-se para o projeto, em primeiro lugar, em uma perspectiva prática: foram realizadas tarefas administrativas visando o bom funcionamento da plataforma web, a divulgação e difusão do acervo e a organização e diagramação de um livro a partir de uma seleção dos relatos recebidos. Em segundo lugar, o projeto foi analisado como objeto de um reflexão crítica que busca delinear as principais particularidades desta iniciativa, contextualizando-a em relação à experiência pandêmica e sua condição de trauma compartilhado e problematizando-a a partir de uma série de textos teóricos voltados para o tema da memória, memória digital, testemunho e história oral e audiovisual. A pesquisa é desenvolvida sob orientação da Prof.ª Dr.ª Ana Carolina de Moura Delfim Maciel e tem apoio da FAPESP através de uma bolsa de Iniciação Científica concedida como item orçamentário ao projeto "Coletar, identificar, processar, difundir: o ciclo curatorial e a produção de conhecimento", do qual o #MemóriasCovid19 faz parte.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: FAPESP
DOUGLAS VINICIUS SOUZA SILVA
Olá, João Felipe.
Em primeiro lugar, gostaria de parabenizá-lo pelo projeto incrível e pela forma convidativa e bem embasada que você o apresentou no vídeo. Em minhas pesquisas, lido com narrativas de memória também, mas, de fato, conceber a memória em diversos formatos de mídia para além do texto, parece ser um diferencial muito produtivo do projeto de vocês. Muito legal a produção de uma arquivo que inclua diversas possibilidades de mídia. Enfim, não tenho exatamente uma pergunta para você, apenas elogios. Vi que você é do IA, e faço parte de um grupo de pesquisa do IEL com temáticas e preocupações bastante semelhante ao grupo de vocês, talvez fosse muito interessante a troca de figurinhas entre nossos projetos. O nosso grupo chama nós-outros, é coordenado pela Profa. Dra. Daniela Palma, e caso você tenha interesse, aqui está o site: https://www2.iel.unicamp.br/nosoutros/ . Talvez cursar alguma disciplina no IEL ou conhecer o trabalho da Daniela Palma poderia te ajudar. Abraço!
Elis Siqueira
Oi, João Felipe! Tudo bem?
Primeiramente, parabéns pelo trabalho sensível, dedicado e aprofundado. Compreendi muito bem tudo o que você apresentou em seu vídeo e gostaria de elogiar, especificamente, seu domínio a respeito da literatura estudada e as relações feitas em suas explicações.
Gostaria de fazer uma provocação. Seu estudo e a plataforma em si envolvem muitas dimensões linguísticas: a narrativa, a memória, linguagens verbais, linguagens visuais etc. Particularmente, como pesquisadora da área de Linguagens e Tecnologias, enxergo também uma dimensão importante na presença das hashtags no projeto (no título da plataforma, nas categorias identificadas e listadas por você etc.). Você acha que a presença dessas hashtags desempenha algum papel importante? A que se deve, em sua opinião, a escolha desse tipo de linguagem associado a um projeto como esse e a um arquivo virtual?
Abraços, até mais, e parabéns mais uma vez! =)
JOÃO FELIPE RUFATTO FERREIRA
Olá Elis, tudo sim e com você?
Muito obrigado pelo comentário!
Em relação ao uso de hashtags, acho que existem duas questões:
1) Em primeiro lugar elas são definitivamente utilizadas para demarcar a condição digital inerente ao projeto e colaboram para a construção da identidade da iniciativa e sua difusão junto ao público. Penso que as pessoas já são, em certa medida, orientadas sobre nossas intenções e nossas abordagens (uso amplo das redes sociais e presença do projeto da rede) quando entram em contato com esta identidade.
2) Por outro lado, a hashtag coloca um problema mais amplo a nível do arquivo e suas formas de organização, apresentação e difusão. Como comento no vídeo, estas categorias foram criadas primeiramente com o objetivo de organizar o acervo no formato de um livro. A organização de informações no livro impõem uma estrutura linear bastante rígida, na qual a categorias funcionam como capítulos, sugerindo um fluxo de leitura sequenciado.
Pensando nos modos de aplicação dessas mesmas categorias ao site, colocaram-se uma série de outras questões sobre a estruturação da experiência de navegação do usuário. Acredito que aqui as hashtags encontram sua potência maior, pois elas permitem uma navegação menos rígida entre as diferentes memórias, funcionam mais como agregadoras de conteúdo do que como capítulos numa leitura linear e, por isso, engendram o estabelecimento de outras relações possíveis entre os relatos.
Enfim, acho que é um assunto longo, mas que me interessa muito e definitivamente se revela cada vez mais relevante.
Agradeço de novo pelo comentário,
um abraço!
Elis Siqueira
Muito legal a sua reflexão, João Felipe. Obrigada pela resposta e pela interação.
A hashtag, enquanto hiperlink, realmente tem essa quebra da linearidade do texto e a propiciação de mais autonomia de leitura como elementos essenciais de sua dinâmica e de seu funcionamento. Tenho desenvolvido trabalhos e reflexões nesse sentido. Se em algum momento quiser pensar mais sobre essa questão na sua pesquisa ou mesmo em outros projetos, será um grande prazer dialogar mais com você e manter uma troca de figurinhas a respeito do tema.
Abraços e bom Congresso pra você!
JOÃO FELIPE RUFATTO FERREIRA
Imagina, Elis, eu que agradeço pelo interesse.
Faz todo o sentido, e com certeza adoraria conversar mais sobre o tema no futuro!
Um ótimo congresso para você também e um abraço.
LAURA MANGANOTE
Parabéns pelo trabalho incrível, João Felipe! O projeto é sensível e trabalha a memória por uma perspectiva atual em constante transformação. É interessante como a plataforma cria um processo de arquivamento que pensa o tempo presente, conforme esses arquivos são desenvolvidos, também se configurando como uma elaboração do trauma coletivo que aborda. Adorei saber mais sobre a iniciativa!
JOÃO FELIPE RUFATTO FERREIRA
Olá Laura. Muito obrigado pelo comentário! Definitivamente o "arquivamento que pensa o tempo presente" tem sido uma questão muito importante para a gente, pois ele coloca uma série de desafios relativos aos modos de circulação e apresentação destes relatos, principalmente se considerarmos que o distanciamento temporal é, geralmente, fundamental no processo de testemunho de situações traumáticas. Penso que, por isso, a maioria dos testemunhos aborda o trauma de maneira mais tangencial, inscrevendo-o nas entrelinhas da experiência mais cotidiana da pandemia.
Enfim, não tenho um encaminhamento definitivo neste sentido, pois são questões que tem atravessado o trabalho em toda sua amplitude, mas com certeza este tem sido um ponto focal da pesquisa.
Agradeço de novo pelo comentário :)
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JOÃO FELIPE RUFATTO FERREIRA
Olá, Douglas. Muito obrigado pelo comentário, fico feliz que gostou. Esta diversidade de mídias é um dos pontos centrais do projeto, mas minha base teórica é bastante marcada pelas questões narrativas do processo testemunhal e com certeza vou dar uma olhada nas matérias do IEL e no trabalho da professora Palma, obrigado pela dica.
Não conhecia o nós-outros, mas pelo que pouco que pude ver agora o projeto me parece muito interessante. Podemos com certeza trocar algumas figurinhas, vai ser muito produtivo. Se achar que vale a pena, trocamos e-mails e vamos conversando.