Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Padrões alométricos em tímpanos de anuros
Bruna Maria Campos
UNICAMP
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoA comunicação da maioria dos anfíbios anuros é feita principalmente através do canto. Para que haja uma comunicação sonora efetiva entre anuros, é preciso ter órgãos emissores, mas também órgãos sensoriais especializados na recepção sonora. Esses órgãos estão localizados no ouvido médio e interno desses animais, responsáveis pela recepção de frequências graves e agudas. O tamanho do tímpano está diretamente correlacionado com o tamanho corporal dos indivíduos, no entanto, a frequência do canto possui correlação inversa com o tamanho do indivíduo. Além disso, vários fatores podem estar moldando esses sinais acústicos, fazendo com que os indivíduos se adaptem em resposta às pressões do ambiente que ocupam. Portanto, esse estudo tem como objetivo verificar padrões alométricos em tímpanos de anuros de diferentes ambientes, para analisar se fatores ambientais atuam em casos de fugas alométricas, destacando os grupos em que isso ocorre.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: PIBIC/CNPq
Wellington Roberto Palhares
Boa tarde, Bruna
Tudo bem?
Parabéns pelo trabalho, achei muito legal e interessante. Eu já trabalhei um pouco com bioacústica de anuros, mas essa parte de estruturas relacionadas a percepção do som é algo que não tenho muito conhecimento. Achei o trabalho bastante interessante.
Bom, eu gostaria de fazer algumas perguntas. No texto (resultados) você diz o seguinte "Em Hilarana, por exemplo, o aumento do tamanho nas espécies não influencia na frequência dominante, e em Huia e Hylodes a relação é inversa em relação ao esperado". Então você esperava que espécies com CRC e LT maiores tivessem frequência dominante menores, certo? Por que você esperava isso?
Wellington Roberto Palhares
Tanto no texto quanto no vídeo você diz que determinou o habitat das espécies para determinar se elas estão adaptadas a habitats ruidosos. Mas eu não entendi direito o que foi feito pois não há menção dessa parte nos resultados. Você poderia me explicar?
Bruna Maria Campos
Nós dividimos em 2 grupos: as espécies que vivem em riachos (estão adaptadas a habitats ruidosos) e as que não vivem (não estão adaptadas), pois acreditamos que o ruído do ambiente pode interferir nos padrões alométricos, como já foi observado em outros trabalhos. Para essa divisão, nós buscamos na literatura disponível os dados de história natural das espécies levantadas. Nos resultados, essa parte está incluída na relação inversa que foi encontrada em Huia e Hylodes, já que ambos vivem em riachos (estão adaptados a habitats ruidosos) e estão dentre os grupos que apresentaram modificação alométrica.
Wellington Roberto Palhares
Ah entendi, não tinha conseguido entender essa parte no texto e no vídeo, mas agora entendi. Achei o resultado bem legal, parabéns!
Wellington Roberto Palhares
Você poderia me explicar com mais detalhes a sua conclusão? Novamente, o trabalho está muito legal, as figuras ficaram fantásticas, parabéns!
Bruna Maria Campos
A conclusão é que a variação corporal se modifica pouco ao longo da evolução. Isso acontece porque o canto (parte principal da comunicação na maioria das espécies), depende intrinsecamente da frequência do canto, que é limitada em grande parte pelas pregas vocais. No entanto, observamos alguns escapes na relação tamanho x frequência x tamanho do tímpano, e dos cinco grandes grupos em que ela acontece, três deles são caracterizados por espécies que vocalizam em ambientes de riacho (e alguns até embaixo de cachoeiras), que são muito ruidosos, principalmente em frequências mais graves. Os outros dois (Leiuperinae e Dendropsophus) são caracterizados por espécies que cantam em grupos de dezenas ou até centenas de indivíduos, o que pode ter propiciado, ao longo da evolução, que os tímpanos se tornassem desproporcionalmente maiores, e assim fossem favorecidos os indivíduos que conseguissem distinguir características do canto de outros coespecíficos com mais precisão.
Muito obrigada pelos comentários, Wellington. Espero ter conseguido responder suas perguntas!
Wellington Roberto Palhares
Certo, entendi. Obrigado, Bruna. Parabéns novamente pelo trabalho, está muito interessante e as figuras estão muito bonitas, parabéns!
Bruna Maria Campos
Muito obrigada!!
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Bruna Maria Campos
Olá Wellington, boa noite! Isso mesmo. Isso era esperado pois são informações que encontramos na literatura. Quando os indivíduos são maiores, eles possuem o trato vocal mais robusto, o que faz com que o canto (e consequentemente a frequência dominante) seja mais grave. Por isso, a relação de Huia e Hylodes é inversa ao esperado.
Wellington Roberto Palhares
Isso, você até fala sobre isso na sua introdução, né?! Justamente por já ter essa informação na introdução, acho que você poderia formular uma hipótese e colocar no seu objetivo (o ultimo paragrafo da introdução), acho que fica bem legal.
Bruna Maria Campos
Sim fica mesmo, obrigada pela dica!!