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Esta pesquisa se propõe a investigar a fortuna crítica de viés sociológico de Grande sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa, com o objetivo de compreender como essa face da crítica literária roseana compreendeu o papel da matéria brasileira na composição do romance. Partiremos de alguns dos primeiros textos críticos escritos — Antonio Candido, Walnice Nogueira Galvão e Manuel Cavalcanti Proença — para nos debruçarmos sobre alguns estudos mais recentes — Heloísa Starling e Luiz Roncari. Nossa atenção se debruçará para a elaboração teórica de uma visão de Brasil implícita na obra de Rosa, focalizando principalmente a posição política de GSV entre duas concepções de Brasil: o arcaico vs. o moderno. Apesar disso, não pretendemos nos manter excessivamente nessa dicotomia, uma vez que preferimos pensar a obra de Rosa segundo um esquema híbrido, que, como argumentado por José Antonio Pasta Júnior, indica a presença de uma modernização conservadora na formação do país. Assim, pretendemos atravessar uma análise da qualidade artística da obra para evidenciar a sua envergadura como discurso de interpretação do Brasil.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: PIBIC/CNPq
Marco Túlio Câmara
Parabéns pelo texto e pela pesquisa!
Muito me instiga a representação desses Brasis na obra de Rosa. Acredito que seja um campo bastante amplo para explorarmos, como você bem apresentou no texto, de modo empírico e da crítica literária. Destaque positivo, também, para o diálogo proposto entre pesquisas mais recentes e as já consideradas clássicas na área. Porém, nesse sentido, entendo como um processo natural de pesquisa num espectro amplificado, ou seja, como uma evolução da pesquisa na medida em que temos mais acesso a registros e aprofundamentos de discussões a partir de maior visibilidade de pontos de vista e resultados de pesquisa.
Minha questão é em relação ao título, à adjetivação "virtuais", ao caracterizar os Brasis retratados em "Grande Sertão: Veredas". Por que a escolha dessa palavra? Pela leitura do texto, essa explicação não ficou tão explícita, a meu ver.
No mais, parabéns pela pesquisa e pelo percurso realizado!
ALESSON RAMON ROTA
Olá Luis, bom dia, tudo bem?
Muito interessante revisitar o tema dos interpretes do Brasil, sobretudo nos anos de 1950, através de Guimarães Rosa. Geralmente a década mais estudada é 1930 com essa temática. Minha questão é mais sobre os próximos passos da pesquisa, tendo em vista que conseguiu mapear com satisfação interpretações sobre o autor em dois momentos distintos. Há inúmeras questões que podem ser exploradas aí, como a relação entre sociologia e literatura, já esboçada em outros textos clássicos, como Os Sertões de Euclydes da Cunha. Minha dúvida é, pretendes estudar apenas a recepção do autor ou, em passos futuros, pensa em estudar a composição do livro através de outras fontes? No mais, parabéns pela pesquisa, é sempre bom pensar sobre a pluralidade de significados e atualidade de Grande Sertão:Veredas.
LUÍS FERNANDO MOREIRA DA COSTA
Olá, Alesson. Obrigado pelo comentário. Eu já havia trabalhado com a composição narrativa de GSV numa Iniciação Científica anterior. A intenção desta pesquisa foi abrir a discussão que pretendo aprofundar numa futura pós-graduação. A minha ideia, em um primeiro momento, foi abrir o debate com a fortuna crítica rosiana de viés sociológica. Posteriormente, pretendo juntar as discussões sobre a composição narrativa com as de cunho sociológico para pensar como o registro literário, na estética rosiana, colabora para a construção de sentido do texto e, dessa forma, para a construção de uma interpretação do Brasil.
Daniela Santos
Olá, Luís Fernando. Parabéns por essa pesquisa, com esse foco, dessa obra brasileira que sempre nos é um desafio. Muito interessante as escolhas e o encadeamento que você faz entre os críticos contemporâneos e os mais recentes. Sua pesquisa mostra um alto teor analítico, demonstrando claramente que seu estudo vislumbra o mestrado! Chamou-me muito a atenção o seu título também, o que me fez pensar na narrativa enquanto potência e sua relação com o real, que vc problematiza. Tenho uma dúvida como leitora e leiga no assunto. Quando vc cita a limitação imposta pelo tempo, o que te levou a uma seleção mais restrita de críticos analisados, vc não acha que se ampliasse esse número poderia comprometer o aprofundamento de sua análise? Muito obrigada e parabéns novamente!
Daniela
LUÍS FERNANDO MOREIRA DA COSTA
Oi, Daniela. Obrigado pelos comentários. De fato, o recorte da pesquisa é sempre uma escolha complicada, pois define completamente os resultados da análise. No caso de Guimarães Rosa, é uma questão ainda mais complexa, porque esse autor tem uma das maiores fortunas críticas da literatura brasileira. Mesmo que seja importante restringir os críticos abordados, também é importante conseguir abranger mais estudos num trabalho mais longo, como no caso de uma pós-graduação, pois há o perigo de negligenciarmos um trabalho diretamente envolvido na nossa discussão. Mas, de fato, a questão do recorte exige muita reflexão antes de uma definição clara. Levarei isso em conta! Obrigado!
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LUÍS FERNANDO MOREIRA DA COSTA
Olá, Marco! Obrigado pelo comentário. O título surgiu em um momento de interpretação e ainda precisa de uma melhor elaboração. A ideia inicialmente foi empregar o sentido de "potencial", possível na palavra "virtual". Nesse sentido, apresentar não os Brasis reais expressos pelo livro, mas os possíveis Brasis, construídos pela abordagem interpretativo da obra. Elaborarei melhor esse ponto num próximo trabalho!