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Incorporação do resíduo do processamento de uva em filmes comestíveis e biodegradáveis
BRENO BAPTISTELLA MENEGHETTI
UNICAMP
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoEste projeto visou a fabricação de filmes preparados com amido de araruta incorporados com 0, 20 e 40% (m/m de amido) de extrato do bagaço de extrato de uva Vitória como fonte de compostos bioativos para potencial aplicação como embalagens de alimentos ativas. Os filmes incorporados com bagaço de extrato de uva apresentaram coloração avermelhada intensa, característico da uva, enquanto que o filme controle era transparente e incolor. Todos os filmes eram flexíveis e manuseáveis. O aumento da concentração do extrato de uva (de 0 a 40%, massa / massa de amido seco) no filme resultou no aumento da espessura (de 0,074 para 0,084 mm), no aumento da permeabilidade ao vapor de água (de 3,47 a 4,07 g.mm/m2.dia.kPa) e solubilidade em água (de 16,73 a 29,11%). Filmes de amido de araruta mais solúveis em água e permeáveis ao vapor de água foram obtidos quando 40% do extrato de bagaço de uva foi adicionado na solução formadora de filme. Todos os filmes apresentaram atividade de água abaixo de 0,50 mostrando estabilidade microbiológica. Os filmes foram estáveis aos simuladores de alimentos, apresentando uma taxa de solubilidade inferior a 21 e 33% após imersão em simuladores de alimentos gordurosos e aquosos. Pode-se concluir que os filmes de amido de araruta incorporados com extrato do bagaço de uvas apresentam grande potencial de aplicação como embalagens de alimentos bioativas, cuja coloração avermelhada e a liberação de antocianinas para o alimento sejam desejadas.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: FAPESP
Luan Ramos da Silva
Olá Breno, gostaria de parabenizar pelo excelente trabalho e apresentação. Seu trabalho está muito bem escrito e você demonstrou um grande domínio na sua pesquisa na apresentação. Gostaria de saber se você e sua equipe pensam em continuar com essa pesquisa e quais são os próximos passos que pensam. Parabéns!
Amanda Quintela
Oi Breno, parabéns pelo trabalho e pela apresentação, você foi muito didático.
Gostaria de saber o que você tira como aprendizado da sua pesquisa, não falo em relação aos resultados (que por sinal foram satisfatórios), mas o que você aprendeu enquanto executava o seu trabalho.
Por que foi utilizado o etanol 95%? Outros solventes foram testados?
BRENO BAPTISTELLA MENEGHETTI
Olá Amanda, obrigado por participar da discussão do meu projeto!
Sucintamente, trago após a experiência três principais aprendizados. O primeiro é que alternativas acessíveis, de baixo nível tecnológico e de investimento, bastariam para reduzir significativamente o uso de plásticos em contato direto com alimentos prontos para consumo. O segundo é que o reaproveitamento de resíduos não pode ser subestimado em qualquer projeção de desenvolvimento para tecnologias sociais. Por fim, entendi na prática que o acompanhamento de profissionais competentes faz toda a diferença.
Quanto ao simulante 95% etanol, a escolha se justifica pelo fato de que necessariamente os simulantes alimentares devem apresentar características similares aos alimentos representados. Assim, o etanol 95% foi utilizado como simulante de alimentos gordurosos, por ter capacidade de extrair compostos lipossolúveis devido a sua característica hidrofóbica semelhante ao alimento gorduroso. Além disso, a RDC nº 51, de 26 de novembro de 2010 publicada pela ANVISA determina que no caso de alimentos secos e gordurosos, o ensaio de migração deverá ser realizado com o solução simulante de etanol a 95% (v/v) em água destilada ou deionizada ou Isooctano ou MPPO (óxido de polifenileno modificado) ou solução de etanol a 50 % (v/v) em água destilada ou deionizada.
Mariana Harue Taniguchi Nagahara
Breno, parabéns pelo trabalho! Tanto o trabalho escrito quanto a apresentação estão muito bons!
Gostaria de tirar algumas dúvidas:
1) Filmes de amido já são utilizados na indústria alimentícia? Qual(is) seria(m) o(s) maior(es) desafio(s) para a implementação dos filmes com as antocianinas?
2) Existem outras caracterizações do material produzido que seriam interessantes, tendo em vista a utilização como embalagem bioativa?
3) Você conseguiria quantificar o quanto de antocininas foi liberado nos meios utilizados como simuladores de alimentos gordurosos e aquosos? Teria como comparar com um valor de referência que seria interessante, por exemplo, para armazenar carne, como mencionado em outros tópicos?
4) De forma geral, compostos antioxidantes naturais são muito instáveis e podem perder sua atividade na presença de luz, quando expostas ao ar ou à temperaturas mais elevadas. Isso seria um problema no seu caso? Se sim, esse problema pode ser contornado de alguma forma?
Muito obrigada pela atenção!
BRENO BAPTISTELLA MENEGHETTI
Olá Mariana! Muito obrigado pelo seu comentário.
1) Sim, já existe aplicações a nível industrial de filmes de amido, principalmente aqueles comestíveis. Quanto aos desafios de implementação dos filmes com antocianinas, a maior dificuldade se encontra no próprio processo de produção, uma vez que as antocianinas são instáveis as condições adversas do meio, como calor, luz e oxigênio, frequentemente presentes no ambiente de produção e secagem, o que tende a reduzir o seu conteúdo no filme resultante. Outra grande dificuldade é conseguir a liberação controlada dessas antocianinas do filme para o alimento ou meio circundante de modo não se tenha uma liberação alta no início do armazenamento do alimento, de modo a esgotar o conteúdo de antocianinas antes da vida de prateleira do produto ou uma liberação muito baixa de modo a não ter um efeito antioxidante significativo.
2) Sim, várias outras análises como caracterização da morfologia, análise das propriedades térmicas, propriedades mecânicas, avaliação da capacidade antioxidante, quantificação do conteúdo de compostos bioativos migrados, análise de vida de prateleira, dentre tantas outras.
3) Sim, utilizando métodos instrumentais mais sofisticados que permitem quantificar analito em baixas concentrações. Acredito que daria sim para fazer uma comparação com valores de referência, até fazer um estudo de vida de prateleira do produto embalado com o filme contendo antocianinas e produtos com antioxidantes empregados geralmente em produtos industrializados, avaliando-se várias características inclusive sensorial.
4) Sim, como dito anteriormente algumas variáveis devem ser controladas principalmente durante a produção e secagem dos filmes para a preservação de um maior conteúdo de antocianinas no filme resultante. Acredito que uma vez que a antocianinas esteja dentro da matriz polimérica, essa funcionará como um encapsulante protegendo-a das condições adversas do meio. Além disso, tem-se a microencapsulação das antocianinas antes da sua incorporação no filme pode ser utilizada como estratégia para melhorar a estabilidade das antocianinas e ainda protegê-las das condições adversas do meio quando a mesmo for liberada do filme para a superfície do produto embalado, garantindo que a mesma atinja o local de ação sem ser degradada. Para todos os casos são necessários vários estudos para compreensão dos mecanismos envolvidos.
Mariana Harue Taniguchi Nagahara
Muito obrigada pelas respostas, Breno! Com certeza o tema ainda pode ser muito mais explorado e aprofundado e você já fez um ótimo trabalho até aqui, parabéns, mais uma vez! Espero que tenha muito sucesso na continuidade da pesquisa!
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BRENO BAPTISTELLA MENEGHETTI
Olá Luan, agradeço muito o interesse!
Sobre o questionamento: sim, pensamos em continuar. Os próximos passos estão programados para o início do ano que vem, em que planejamos testar e validar a aplicação dos filmes elaborados como embalagens bioativas e como estratégia para prolongamento do prazo de validade, estabilidade e a segurança de produtos alimentícios reais. Nosso intuito é utilizar os filmes produzidos para embalar carnes, por exemplo, e avaliar a capacidade dos compostos antioxidantes migrarem do filmes para a superfície do alimento e, consequentemente, a sua capacidade em prevenir a oxidação dos compostos lipídicos presentes no alimento embalado.