Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Incidência de Cryptococcus gattii e Cryptococcus neoformans em excretas de pombos na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) no Campus de Barão Geraldo
VINÍCIUS FRANCO DE FREITAS
UNICAMP
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoWatch this next:
A criptococose é uma doença endêmica que tem tropismo pelos pulmões e pelo sistema nervoso central, afetando principalmente indivíduos imunodeprimidos e portadores de HIV. Essa doença é causada pelos fungos Cryptococcus neoformans (Cn) e Cryptococcus gattii (Cg), encontrados em diversos nichos, geralmente em excretas de pombos. Os pombos estão distribuídos amplamente pelo ambiente urbano e sua presença (apesar de querida por alguns) causa danos incalculáveis economicamente, além de servirem como dispersores para essa e outras doenças. Este trabalho teve como objetivo identificar a incidência de Cn e Cg em excretas de pombos na UNICAMP no campus de Barão Geraldo. Seis amostras de fezes de pombos foram coletadas, semeadas em Ágar Sabouraud e incubadas a 30º C. As colônias suspeitas foram transferidas para Ágar Níger (produção de melanina), provas da urease, tinta da china (nanquim) e termotolerância. Não foram encontradas colônias que apresentassem características morfológicas dos fungos de interesse e ao mesmo tempo, apresentassem resultado positivo para todos os testes aplicados. Assim, são necessários mais estudos para avaliar se os fungos Cn e Cg ocorrem nas fezes dos pombos no campus. Além disso, práticas de conscientização popular e incentivo a remoção dos ninhos pela universidade devem ser implantadas, a fim de garantir a segurança sanitária dos estudantes, funcionários e professores.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: PIBIC/CNPq
Jhéssica Krhistinne Caetano Frota
Boa tarde Vinícius, tudo bem?
Primeiramente, parabéns pelo seu trabalho! Muito interessante! Tenho algumas perguntas para você.
Desde já, agradeço o retorno.
Cordialmente,
Jhéssica Frota
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo
VINÍCIUS FRANCO DE FREITAS
Boa tarde Jhéssica, tudo ótimo. Fico muito feliz que tenha gostado do trabalho. Bom, respondendo suas questões na ordem:
1) Sim, há diversos relatos associando as excretas de pombos a casos de meningite criptocócica e criptococose. Por conta disso e pela vasta presença desses animais na universidade (no Instituto de Biologia, por exemplo, há dois ninhos no corredor principal entre os blocos dos laboratórios e salas de aula) foi estudado a sua presença nas excretas. Também por ser mais comum casos de patologia associados as leveduras (normalmente encontradas nos excrementos de aves) do que as formas filamentosas (geralmente encontradas em cascas de eucaliptos).
2) Os pombos não são infectados pelo C. gattii ou pelo C. neoformans (pelo menos não foram encontrados registros na literatura). Ocorre que tanto a forma levedureforme quanto a forma filamentosa se alojam no papo dos pombos (por dispersão de basidiósporos no ar, contato direto quando o pombo se alimenta em algum local contendo o fungo) e se comportam como endosaprófitos pois não conseguem sobreviver internamente devido à alta temperatura corporal das aves. Contudo, eles conseguem sobreviver ao trato gastrointestinal e são eliminados nas fezes permanecendo viáveis por cerca de 2 anos.
3) Nas fezes, o C. gattii e o C. neoformans permanecem por conta dos nutrientes (como a ureia) e do microambiente criado, uma vez que os pombos defecam em seus ninhos que geralmente estão protegidos da luz direta do sol (que poderia matar esses fungos). Uma vez que as fezes sequem, as leveduras do C. gattii e do C. neoformans podem ser dispersadas no ar por conta do seu peso baixo. Assim, caso uma pessoa inale essas leveduras dispersas no ar, ela estará suscetível a infecção e possíveis complicações.
4) Não, os fungos C. gattii e C. neoformans não infectam os pombos e atuam apenas como endosaprófitos nessas aves.
5) Morfologicamente eles possuem as mesmas características, mas são diferenciados pelos polimorfismos em suas sequências de DNA com o sorotipo A (também conhecido como C. neoformans var grubii), sorotipos D e AD (pertencentes ao C. neoformans) e sorotipos B e C (pertencentes ao C. gattii). Também é possível diferenciá-los fisiologicamente, uma vez que C. neoformans não consegue assimilar a glicina como única fonte de carbono e nitrogênio, contudo, por não haver isolados do gênero Cryptococcus essa diferenciação não foi abordada.
6) Inicialmente havia a ideia de coletar uma amostra por instituto para um total de 10 institutos, entretanto, a pandemia restringiu o acesso ao campus e, supõe-se que o baixo trafego de pessoas pelo campus tenha afetado a distribuição dos pombos. Dessa forma, os locais de coleta apresentados foram os únicos nos quais havia não só material suficiente para a coleta, mas a presença das aves por perto para garantir que as fezes não eram de outras espécies.
7) Por não ser o foco principal do trabalho, não foram realizados testes moleculares ou bioquímicos para a verificação de Rhodotorula spp. Esse achado, juntamente com outros fungos nas excretas dos pombos, aponta a necessidade de alguma intervenção socio acadêmica para a remoção dos ninhos e limpeza dos locais de comum acesso. Tendo em vista que Rhodotorula spp. é um fungo patógeno capaz de causar meningites, pneumonias e outras doenças, sendo responsável por cerca de 2% da fungemias relatadas em estudos epidemiológicos, um projeto mais aprofundado sobre esse fungo deveria ser realizado.
8) Seria de meu interesse dar continuidade a esse projeto futuramente, contudo, por hora, irei explorar outras áreas da biologia para ampliar meu conhecimento acadêmico.
Eu agradeço as perguntas e o interesse no meu tema.
Com uma maior conscientização popular podemos criar medidas de prevenção para impedir que esses e outros patógenos se proliferem e causem tantas mortes.
Caso tenha mais alguma dúvida ficarei feliz em responder.
Att, Vinícius F.
Jhéssica Krhistinne Caetano Frota
Olá Vinícius, boa noite!
Agradeço suas respostas, todas foram esclarecedoras.
Novamente parabéns pelo seu trabalho e desejo sucesso na sua jornada acadêmica!
Cordialmente,
Jhéssica Frota