Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Esta pesquisa teve como objetivo compreender a fotopintura, as narrativas e rituais vinculados a ela como a morte, a partir da relação entre fotografia e pintura, técnicas e materiais distintos que compõem essa produção pertencente ao gênero do retratístico que, apesar das transformações, ainda resiste no nordeste brasileiro. Procurei através da discussão bibliográfica e iconográfica, a partir de teorias que tratam da imagem e da antropologia, problematizar a fotopintura, assim como perceber questões que a permeiam como composição multifacetada e que escapam a sua unidade visível. A pesquisa se ancorou na existência do arquivo de fotopinturas de Titus Riedl – que é também um estudioso da fotopintura- localizado no Cariri-CE - formado por mais de 5000 imagens, a maioria delas "descartadas" pelos fotopintores e seus clientes, ou obtidas por meio de doações.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: IC Voluntária
hellen fonseca
Olá, Bianca. Parabéns pelo trabalho desenvolvido: é muito sensível e tocante. Fez lembrar de algumas fotografias de meus bisavós colocados nas paredes da casa do meu tio e, graças ao seu trabalho, pude entender a que tipo de técnica essas imagens pertencem.
Achei muito interessante como a montagem que se faz presente nesses quadros de famílias - os retratos operam em um intenso diálogo entre si e são inúmeras as possibilidades de leitura - para não falar em processos imaginativos, afinal, é difícil olhar para essas imagens e não imaginar/fabular quem foram essas pessoas.
Também achei muito pertinente pensar a produção dessas imagens e todos os envolvidos neste processo (fotógrafos, familiares, bonequeiros, laborista), o que evidencia o modo como essas imagens circulam. Toda essa trama me faz pensar muito no Ingold (Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição; Trazendo as coisas de volta; ). Esses trabalhos são bastante inspiradores.
Se possível, gostaria que você contasse mais sobre a atual produção dessas fotopinturas: quais são os objetos e materiais que são mobilizados para produzi-las? Como é o resultado?
Sobre o fato de essas imagens terem se tornado órfãs, há alguma hipótese? Elas vem sendo descartadas pelas próprias famílias ou por terceiros?
Mais uma vez parabéns pelo excelente trabalho.
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BIANCA DE CAMARGO SETTI
Olá, Hellen! Obrigada pelo comentário e pelas questões :)
Atualmente a principal plataforma de criação das fotopinturas é o Photoshop. Mestre Júlio Santos, um dos fotopintores mais conhecidos em âmbito nacional e internacional, diante do desenvolvimento tecnológico da produção visual, ressignificou a prática e a produção.
O retrato passou a ser digital e uma forma de manter as fotopinturas presentes no cotidiano foi a recuperação de imagens antigas e a inovação pelo processo digital que dão um ar diferenciado para a imagem, diferente das técnicas originais, mas ainda mantém o imaginário em torno da produção.
Com relação às fotopinturas órfãs, noção derivada dos estudos da professora Fabiana Bruno, grande parte delas eram deixadas nos estúdios devido a algum defeito na produção ou a insatisfação do cliente. Outras foram se perdendo devido a falecimentos, mudanças. Pelo fato de não terem um significado tão intenso para os familiares, ou parecerem um artigo antiquado, acabam sendo abandonadas.
O lado positivo é que pesquisadores e artistas buscam coleta-las, refaze-las e traze-las de novo a vida. Um bom exemplo é a coleção Titia Riedl e a artista visual Virginia de Medeiros.
Espero ter tirado suas dúvidas :)
hellen fonseca
Obrigada, Bianca. Você esclareceu muito bem. Parabéns pela sua bela pesquisa. :)