Oi Alexia, tudo bem?
Já de início, te digo que gostei bastante do seu trabalho e de como você o apresentou, tanto o texto quanto o vídeo-pôster. Ao mesmo tempo em que essas duas produções trazem, individualmente, a ideia completa do seu estudo, elas também se complementam ao explicar e ao mostrar o que foi feito e o que foi depreendido das análises. Isso é muito bom!
Ainda, em especial no resumo, eu pude notar que você fez uma análise detalhada dos resultados e das possibilidades que eles trazem, buscando esclarecer os sinais observados e relacionando-os com a metodologia utilizada, de modo a encontrar as respostas que mais fazem sentido no seu contexto. Acredito que foi um trabalho que te trouxe bastante conhecimento e exercício do método científico, um dos tratos mais importantes de uma iniciação científica.
Trago também algumas perguntas e comentários buscando aguçar o seu entendimento:
1) A formação de aglomerados controlados de nanopartículas é uma abordagem muito interessante e eu diria que não tão comum.
Você já ouviu falar em um campo de estudo chamado Química Supramolecular? Ele já rendeu um prêmio Nobel destaca construções de hierarquias moleculares cuja organização se dá principalmente por meio de interações intermoleculares.
Como você avalia as interações intermoleculares nas suas suprapartículas? De que natureza são as interações que mantém as nanopartículas juntas?
2) Qual o diferencial das matrizes de vanadato em comparação, por exemplo, a matrizes de fluoretos (ou de tetrafluoretos) de terras raras, também bastante comuns em trabalhos com nanopartículas destes elementos?
Pergunto tanto em termos de estrutura quanto em relação às propriedades espectroscópicas.
3) O trabalho parece ter sido focado principalmente na síntese e na caracterização estrutural do sistema que vocês planejaram.
Que fatores pesaram na escolha do conjunto de íons que fazem parte das suas matrizes? Como você explica que a excitação ocorra em comprimentos de onda mais longos (de menor energia), no infravermelho, e as emissões ocorram na na região do visível?
O que determinou os comprimentos de onda de excitação escolhidos? Foram necessários realizar espectros de absorção ou de excitação para determiná-los?
Aliás, qual seria a diferença entre um espectro de absorção e um espectro de excitação?
Sugestões:
No sistema NP3, talvez o emprego de um tempo de síntese um pouco maior produza nanopartículas com melhor cristalinidade – ou, ainda, talvez o excesso de outros sais no sistema tenha atrapalhado a formação dos cristais de interesse.
Em um espectro de infravermelho, a escala no eixo X comumente é o número de onda (cm-1) e não número de “ondas” (assumo que seja apenas um erro de digitação, mas achei válido notar).
Recomendo também as atribuições dos sinais observados na difração de raios X, nos espectros de infravermelho e também nos espectros de luminescência já nas próprias figuras. Você menciona esses significados na parte escrita, mas é importante que as figuras que você mostra sejam autossuficientes nesse sentido.
Pode parecer muita coisa, mas que no fim fique, como eu disse no começo, os meus elogios ao seu trabalho. Ele foi muito bem feito e só tem a melhorar! Sucesso na sua carreira!
Fico a disposição!