Olá, Tabatha! Tudo bom? Espero que esteja tudo bem.
Meu nome é Patrícia, sou doutoranda em Linguística Histórica pelo IEL e uma grande apaixonada por Machado de Assis. Gostaria de levantar alguns pontos, depois de ver o seu vídeo e ler o seu resumo: Acho que o Machado é um dos poucos escritores que conseguiu grande fama e notoriedade ainda vivo. Veja só, em 1867, ele foi agraciado pela Imperial Ordem da Rosa, como Cavaleiro, por D. Pedro II (https://www.machadodeassis.org.br/); com 20 anos, já frequentava os círculos literários e tinha contato com grandes escritores de sua época. Machado era atípico. Por isso, seu capital simbólico já era muito grande. Conheceu, com 15 anos, Francisco de Paula Brito que era dono de uma livraria e de um jornal. Acredito que já tivesse muito conhecimento de "mídia" da sua época, talvez por isso tenha conseguido negociar mais com a Garnier. Na ocasião da publicação da 3ª edição de "Memórias Póstumas", Machado já era sócio-fundador da "Arcádia Fluminense" (http://machado.mec.gov.br/115-cronologia) e articulava a criação da Academia Brasileira de Letras (https://www.machadodeassis.org.br/abl_minisites/cgi/cgilua.exe/sys/startbced.html?UserActiveTemplate=machadodeassis&sid=34&from_info_index=1&tpl=printerview_default). E, não menos importante, teve toda sua carreira literária na capital do Império, no centro da efervescência política do país.
Bernardo, por sua vez, teve outra dinâmica em sua carreira e, ao que parece, pela sua biografia, fornecida pela Academia Brasileira de Letras, na época que assinou o contrato das duas obras, estava desempregado e tinha oito filhos para criar (https://www.academia.org.br/academicos/bernardo-guimaraes/biografia). Talvez isso fizesse com que "aceitasse" o valor que a Garnier propôs. Além do mais, seu maior "sucesso", "A Escrava Isaura", só foi publicado em 1875, o que faria o seu capital simbólico aumentar sensivelmente.
Posto isso, gostaria de perguntar: há elementos linguísticos nos textos dos contratos que evidenciem esse "desequilíbrio de poder" entre o contrato de Machado e o de Guimarães?
Mais uma vez, parabéns para você e para sua orientadora pela pesquisa tão incrível!
Patrícia.