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O Rapto das Sabinas: Amor e Poder em Tito Lívio, Ovídio e Cícero

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O presente trabalho, ainda em fase incipiente, integra um projeto dedicado ao episódio mitológico do rapto das mulheres sabinas narrado no primeiro livro da obra historiográfica Ab Vrbe Condita (lit. “Desde a fundação da Cidade”). A obra, escrita por Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.), é fundamental para o estudo da história e da historiografia romana. Apesar disso, carece ainda de uma atenção dedicada não apenas os feitos narrados, mas também aos recursos estilísticos empregados na narrativa, bem como a convenções do gênero textual em que se insere. Nossa metodologia visa considerar tais aspectos, e, para tanto, parte de tradução e comparação do passo liviano (Liv. I. 9.1-16) com dois outros textos latinos que narram o mesmo episódio: a Arte de Amar (Ars amatoria ou Ars amandi I, 101-131) de Públio Ovídio Nasão (aprox. 43 a.C. – 17 d.C.) e, de Marco Túlio Cícero (103 –43 a.C.), o diálogo Sobre a República (De Republica Lib. II VI-IX). Como resultado parcial da investigação, constatam-se semelhanças e contrastes entre as respectivas narrativas do rapto, bem como a abrangência dos temas nelas veiculados. Os excertos em questão tratam, em termos gerais, da miscigenação dos romanos com os sabinos, povo vizinho, apresentando-a como essencial para a fundação da cidade. No entanto, apenas em Tito Lívio se assinala que os jogos Consualia teriam sido fundados precisamente para possibilitar que jovens romanos raptassem as mulheres do povo sabino, obrigando-as a desposá-los.