78147

A modernidade em Baudelaire por Walter Benjamin

Favoritar este trabalho

Charles Baudelaire ocupou um espaço de destaque na produção intelectual de Walter Benjamin durante a década de 1930. Isso se deveu ao fato de sua lírica refletir a nova postura dos habitantes das grandes cidades: a reação aos choques. As multidões e as metrópoles deram forma a um tipo de vivência que fragmenta a experiência da tradição e intensifica o isolamento do indivíduo diante de seus semelhantes, o sujeitando a um automatismo e a um processo gradativo de massificação. Essa nova consciência dos sujeitos, quem em Baudelaire aparece sob o nome de spleen, confronta-se diretamente com o ideal, enquanto imagem utópica e rememoração de uma forma de experiência que não pode mais existir. O spleen como consciência permanente da catástrofe, conforme definiu Benjamin, possui íntimas articulações com o judaísmo heterodoxo do qual era associado. Nesse sentido, o presente trabalho tem como escopo uma análise das afinidades eletivas, no sentido weberiano do termo, entre a filosofia da história benjaminiana e o messianismo judaico, levando-nos a concluir que o elemento catastrófico é um fenômeno que intersecciona tanto seu trabalho materialista sobre Baudelaire como também sua religiosidade judaica, que mesmo parecendo oculta ela ainda opera secretamente em sua ensaística.