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A Experiência do Sensível

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Realizada a tradução do texto “Quem matou Emma Bovary?” presente no livro ‘Politique de la Littérature” de 2007 do filósofo francês Jacques Ranciére, segue uma nota introdutória e comentário aos conceitos como apresentados pelo autor. Este trabalho busca discutir a questão da identificação - ou como por vezes dito, confusão - entre literatura e vida e dos possíveis sentidos e leituras de Madame Bovary desde sua publicação: do julgamento de 1857 às suas críticas contemporâneas a questão narrativa entra e sai do âmbito da própria circulação do material literário.A ficção mesma do livro Madame Bovary parece tratar do tema; a negociação por parte de Emma entre a demanda de um aproveitamento entre o material e o ideal, a impossibilidade dessa realização e seu fim trágico. Em outro nível, porém, o próprio aspecto formal dessa obra parece apontar para outra resolução possível, no qual a própria narrativa conclui tragicamente: dentro desta confusão entre tessituras reais e ficcionais, o que se torna presente é a igualdade das sensações não só como problemática política mas também como forma literária; a reverie e o tédio se embrenham no paradigma de ação romanesca com força contrária, o romance sobre nada de Flaubert também é marco de um nova experiência burguesa do paradigma de ação, ou melhor, da não-ação e da descrição.