JOGOS SONOROS COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA DE RECONHECIMENTO DE TERRITÓRIOS SONOROS
Os estudos contemporâneos do ambiente sonoro vêm buscando a transcendência da abordagem tradicional da busca incessante pelo silêncio para o paradigma emergente da qualidade sonora, com destaque para o valor estético da paisagem sonora. A paisagem sonora é formada dentro de um contexto, marcado por todos os estímulos sensoriais e pelo conhecimento acumulado pelas pessoas acerca do espaço e seu uso, incluindo ainda seu significado cultural. Neste contexto, o presente trabalho propõe a compreender a paisagem sonora enquanto patrimônio imaterial das cidades contribuindo para o fortalecimento da noção de pertencimento de indivíduos a um lugar. Para tanto, buscou-se desenvolver atividades culturais para identificação, registro e salvaguarda de territórios sonoros em espaços que se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas, como em mercados, feiras, praças e santuários. Em termos metodológicos, destacam-se técnicas de etnografia sonora, acompanhada de medições acústicas e testes subjetivos em conformidade com a proposta de norma ISO 12913-2. De maneira complementar, foram utilizadas estratégias de design thinking adaptadas à produção de arte sonora para reabilitação acústica, contemplando etapas de ideação, prototipagem e teste. Como principal resultado, apresenta-se a proposta de um jogo sonoro realizado em espaço público, como uma estratégia de escuta do ambiente urbano, despertando a atenção e consciência dos cidadãos para as questões, virtudes e valores estéticos das paisagens sonoras do cotidiano.