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Risco da ausência de parâmetro para determinar a “vida útil” de instrumental/implante cirúrgico

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Introdução: Produtos Para Saúde (PPS) críticos reutilizáveis podem ser usados em centenas ou milhares de procedimentos cirúrgicos e podem, potencialmente, transmitir agentes infecciosos a um grande número de pacientes se contaminados. Esse fato também se estende a implantes, como parafusos ortopédicos, que, apesar de não serem reutilizáveis, são submetidos a múltiplos procesamentos até serem implantados no paciente. As várias exposições desses PPS à agentes físicos, químicos e biológicos podem comprometer sua qualidade/segurança e promover formação de biofilme. Não se dispõe de um parâmetro bem estabelecido para determinar o número seguro de usos/processamentos de PPS classificados como reutilizáveis/reprocessáveis e, geralmente, sua retirada de uso é baseada na perda da intregridade/funcionalidade. Objetivo: Determinar o efeito de múltiplos usos/processamentos na qualidade de instrumental e implante cirúrgicos de aço inoxidável em uso na prática clínica por tempo indeterminado e que seriam descartados por perda de integridade/funcionalidade. Material e métodos: Instrumental e implante cirúrgicos foram doados por cirurgiões e responsáveis técnicos de Centros de Material e Esterilização de hospitais de dois estados australianos, New South Wales e Victoria. Antes da entrega aos pesquisadores, o instrumental e implantes foram embalados em papel grau cirúrgico e submetidos ao processamento por meio de esterilização a vapor saturado sob pressão nos hospitais. Para o estudo, os PPS (n=27) foram categorizados, de acordo com seu design, em cinco grupos: articulados/serrilhados (n=13), canulados (n=7), parafusos (n=4), com superfície irregular, mas não articulados (n=2) e flexível (n=1). Em seguida, foram avaliados quanto à presença de proteína e bactérias viáveis por meio do teste laboratorial PierceTM BCA Protein Assay Kit (Thermo Scientific, USA) e cultura microbiana em Tryptic Soy Broth após sonicação, respectivamente. Microscopia eletrônica de varredura (MEV) foi empregada para verificar a presença de biofilme, sujidade e danos estruturais. Para possibilitar a realização de um maior número de análises, alguns instrumentais, exceto parafusos, foram fragmentados por meio de lâmina esterilizada acoplada a uma ferramenta rotativa (Dremel™ 3000, Robert Bosch Tool Corporation, USA). Após secção, 25 fragmentos do grupo articulados/serrilhados, 13 dos canulados, quatro do superfície irregular e dois do flexíveis foram analisados. Diferentes quantidades de fragmentos por grupo foram submetidos aos três testes analíticos propostos. Resultados: A quantidade de proteína residual variou de 24μg em um implante (parafuso ortopédico) a 3.756.046μg em uma pinça. Quatorze (61% - 14/23) dos PPS apresentaram nível de protéina 10 vezes maior que o recomendado de 10μg proteína/PPS, sendo qua a média da quantidade de proteína no instrumental classificado como articulado/serrilhado (5.571 μg) e canulado (2.171 μg) foi 100 vezes maior. Todos os fragmentos submetidos à cultura (n=18) foram negativos para crescimento microbiano. Porém, biofilme foi detectado em 6/7 amostras testadas. Presença de sujidade, manchas enegrecidas e corrosões também foram detectadas por meio de MEV. Conclusão: Elevada quantidade de proteína e presença de biofilme, sujidade e danos estruturais foram detectados em PPS cirúrgicos submetidos a múltiplos ciclos de usos e processamentos. Destaca-se que estavam em condição de “pronto-uso” e seriam utilizados não fosse a perda de integridade/funcionalidade. Esses achados apontam para o risco do uso de PPS cirúrgico por tempo indeterminado e da retirada de uso baseada na perda de integralidade/integralidade. Ressalta-se a necessidade de estudos futuros para o estabelecimento de parâmetros para determinar o número seguro de reusos de PPS classificados como reutilizáveis/(re)processáveis.