Resíduos de serviços de saúde: perfil de geração e análise de custo
Os Resíduos de Serviços de Saúde-RSS têm sido uma fonte de preocupação para os gestores de saúde no terceiro milênio, onde os modelos de gestão devem ter suas tomadas de decisões pautadas na responsabilidade ambiental e social para o desenvolvimento econômico, fato que implica priorizar as políticas e práticas sustentáveis, como estimular o uso mais consciente de recursos, evitando desperdícios e melhorando a alocação de seus recursos financeiros. Os objetivos deste estudo foram determinar o perfil de geração e mensurar o custo do gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde-RSS. Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva, de abordagem quantitativa na modalidade de estudo de caso. O local foi o Centro Cirúrgico-CC do Hospital terciário na cidade de São Paulo. A amostra probabilística estratificada foi de 1120 cirurgias, os resíduos foram pesados por 82 dias. Para mensuração do custo mapeou-se o gerenciamento de cada grupo, levantou-se a quantidade e o custo dos materiais e insumos utilizados, identificaram-se os direcionadores e calculou-se o custo total. Os RSS do CC tem representatividade de 6,38 % quando comparado com a produção geral de resíduos do hospital, os resíduos A-infectantes no CC foi 50,62% no restante do hospital foram 30,62%, já o percentual de resíduos D-Reciclados do CC foi 19,26%, acima do hospital com 10,34%. As Salas de Operação foram o local com maior geração de resíduos com 55,93% do peso total. A especialidade Geral foi a que mais gerou RSS em termos de massa, mas quando avaliado a inferência das médias e comprovada a significância estatística entre as diversas especialidades, foram às cirurgias Buco Maxilares (4,55Kg) que mais produziram RSS, seguidas das cirurgias Ginecológicas (4,21 Kg), sendo (Anova F20, 95, p< 0,01) com o teste (pós-hoc Bonferroni p<0,05). Para que o gerenciamento dos RSS no CC aconteça como determina a legislação RDC 306/04, o custo total médio com materiais por cirurgia foi de R$ 8,641. O custo médio de um Kilo de RSS por grupo ficou assim distribuídos: Grupo A com R$ 1,10, Grupo B com R$ 5,70, Grupo D Reciclado R$ 0,96, Grupo D Não Reciclado de R$ 1,01 e já o grupo E teve um custo de R$ 3,23. O custo médio geral do kilo foi R$ 1,19. Conclui-se que os objetivos desta pesquisa foram respondidos, assim conhecer o perfil de geração e os custos do processo de gerenciamento de RSS é de fundamental importância, pois podem direcionar estratégias gerenciais e tomadas de decisões que contribuam com a minimização de geração de RSS e consequentemente a redução de custos através de ações específicas nas especialidades médicas, cirurgias e itens de maior representatividade na composição dos custos, podendo levar a negociações específicas de compras com fornecedores, alteração de modalidade de compra, gerenciamento de recursos materiais e controle de estoque fortalecendo o olhar microeconômico de custos em saúde.