Processamento de produtos para a saúde em um CME: relato de experiência
INTRODUÇÃO: O Centro de Material e Esterilização é uma unidade de apoio dentro das instituições de saúde, destinada a realizar todo o processamento dos produtos para saúde (PPS), é responsável pela distribuição dos produtos esterilizados e /ou desinfetados a todas as unidades consumidoras do hospital, assegurando a eles a quantidade e a qualidade necessária à realização de todos os procedimentos assistenciais para o desenvolvimento do plano terapêutico dos pacientes. OBJETIVO: o estudo teve como proposta identificar as não conformidades no processamento dos produtos para a saúde de um CME de médio porte de um hospital da cidade de Macapá, de acordo com RDC nº 15/2015. MÉTODOS: estudo descritivo, do tipo relato de experiência, as observações foram realizadas no período de janeiro a junho de 2017, se realizou um diagnóstico situacional do CME, para identificar como ocorre o processamento dos produtos para a saúde, a fim de identificar as possíveis não conformidades e posteriormente gerar sugestões de melhoria sobre estas. As informações foram obtidas por meio de observação direta in loco no CME do hospital em estudo, a partir de um roteiro de observação. Este roteiro foi usado como base à lista de Verificação Simples da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) baseada no Instrumento de Avaliação Inicial da Qualidade, da qual consideramos os itens mais pertinentes no que diz respeito ao processamento dos PPS do CME em estudo, teve como base ainda a RDC Nº 15/2012 e as práticas recomendadas pela Associação Brasileira de Enfermagem em Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC). RESULTADOS: Para melhor entendimento dos resultados encontrados, elaboramos um quadro que fazem um resumo das não conformidades com relação ao processamento dos PPS encontradas no CME em estudo. Sugestões para minimizar as não conformidades: elaboração de normas e rotinas do CME; elaborar programa de educação permanente, no qual sejam abordados temas relacionados às atividades desenvolvidas no CME; executar treinamento prático e teórico de forma que todos os profissionais se envolvam ativamente nas atividades; apresentar os serviços executados do CME para outros setores do hospital, enfatizando as responsabilidades de todos quantos a prevenção de infecção e a segurança do paciente; elaboração de POP de processamento de PPS e equipamentos de acordo com as referências cientificas e legislações atuais; sugerir a restrição de acesso ao setor, incluindo uma barreira física, e a técnica; sugerir novo fluxo de entradas de PPS e de pessoal; criar novos impressos que facilite o controle, entrega e recebimento de PPS tanto na área suja, quanto na área limpa; implantar processos de rastreabilidade, com criação de impressos que registrem as etapas do processamento dos PPS; elaborar documento enfatizando as normas técnicas e cientificas sobre a obrigatoriedade de uma CME ter equipamentos de esterilização. CONCLUSÕES: Conhecer como ocorre o processamento dos PPS no CME em estudo e levantar as principais não conformidades, foi essencial para ratificar o papel que o enfermeiro tem dentro deste setor, pois percebemos que dentre as não conformidades encontradas, algumas podem ser eliminadas pela atuação profissional enfermeiro exclusivo da CME. O trabalho desenvolvido dentro de um CME é tão importante quanto a assistência prestada diretamente ao paciente, portanto deve ser respeitado e entendido como o começo da garantia da segurança do paciente.