Papel do enfermeiro da CME na cirurgia robótica
INTRODUÇÃO: A cirurgia robótica é um tipo de cirurgia minimamente invasiva, assistida pelo robô da Vinci Surgical System, trazendo para os pacientes inúmeros benefícios e boas alternativas1. Por se tratar de cirurgia minimamente invasiva os materiais cirúrgicos são extremamente delicados e específicos para esse fim. Tornando sua estrutura complexa e necessitando um protocolo específico uma maior atenção por parte da equipe da CME no processo de limpeza e preparo desse instrumental. Vários estudos tentaram verificar a eficácia de métodos de limpeza na remoção de detritos orgânicos. Contudo, os estudos são muitas vezes dificultados pela variedade de dispositivos envolvidos, variações na forma, tamanho e composição de dispositivos e tipos de contaminantes aos quais os dispositivos são expostos2. O processo de limpeza é o que assegura a remoção dos resíduos orgânicos ou inorgânicos. E tecnologias estão ao nosso favor para nos auxiliar no monitoramento desse processo e possibilitar a segurança do paciente. OBJETIVO: Relatar metodologia adotada pela CME para garantia do processo de limpeza dos instrumentais da cirurgia robótica na Instituição. MÉTODO: O presente trabalho trata-se de um estudo descritivo de relato de experiência. Foi realizado em uma CME de um Hospital Privado de Porto Alegre/RS o qual possui uma produção mensal de 87.600 itens mês e quadro funcional de 67 colaboradores ativos. O Hospital acima referido teve início com a cirurgia robótica em fevereiro de 2018, realizando até o momento 5 cirurgias. Ficou definido em protocolo o uso do teste de limpeza Adenosina Trifosfato (ATP), por ser um marcador de materiais orgânicos. Os parâmetros foram definidos com base no que o fabricante nos colocou como mínimo aceitável, 100 RLU após o processo de limpeza. A escolha da amostra, foram selecionadas as pinças utilizadas na cirurgia robótica do sistema Da Vinci, bem como os pontos da pinça a serem coletados. O teste ocorre da seguinte forma: com a chegada do instrumental na zona de limpeza da CME é realizado um teste ATP de superfície antes da limpeza manual e coleta de ATP de canulado (teste por meio de injeção de água destilada no interior do lúmem e coletado em uma cuba estéril) na tesoura. Os dados são anotados. Após a coleta inicia-se a fase de pré – limpeza das pinças e 5 minutos de imersão na solução com detergente enzimático. Concluído esse processo os materiais são enxaguados, secos e recoletado amostra de ATP de superfície e canulado. Todo o instrumental da robótica é acomodado na termodesinfectora para a lavagem automatizada com ultrason. Ao término do ciclo automatizado é realizado nova coleta das amostras de ATP para liberação da carga. Caso o valor do ATP seja superior a 100 RLU a pinça é lavada novamente na termodesinfectora até atingir valor preconizado. RESULTADO: Após a aplicação do teste de ATP de superfície e canulado foi possível observar que as pinças com “ranhuras” são as que apresentam um maior grau de dificuldade de limpeza, sendo necessário, se valor apresentado acima de 100 RLU, retornar ao processo automatizado. CONCLUSÃO: Como esperado os níveis de RLUs detectados pelo teste foram reduzidos de várias pinças após o uso. Esses dados estão sendo computados em planilha específica para determinarmos novos valores aceitáveis a fim de tornar o processo ainda mais seguro.