Monitoramento do paciente cirúrgico no pós-operatório imediato através da escala de Aldret e Kroulik: um relato de experiência
Introdução: A escala de Aldrete e Kroulik (AK) é um método de avaliação utilizado na Sala de Recuperação Pós-anestésica (SRPA) para avaliação do paciente no período pós-cirúrgico. A duração do paciente na SRPA é fator crucial no controle do fluxo de pacientes cirúrgicos que repercute tanto na capacidade de atendimento do centro cirúrgico como nos gastos de forma global do paciente¹. Como líder da equipe de enfermagem, o enfermeiro possui responsabilidade na atenção aos registros da assistência prestada ao paciente de forma a garantir integralidade no cuidado, seguindo plano de cuidados durante permanência na SRPA, assegurando ao paciente e a si mesmo o resguardo de sanções ético-legais². Objetivo: Relatar experiência no monitoramento de pacientes no período pós-operatório imediato (POI) com aplicação da escala de AK. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, narrativo, do tipo relato de experiência, acerca da vivência de acadêmicos de enfermagem que ocorreu na SRPA de um Hospital de referência no atendimento de emergência e trauma pelo SUS no interior do Estado da Paraíba. Neste complexo hospitalar são realizados cerca de 450 procedimentos cirúrgicos ao mês. A coleta de dados se deu no mês de outubro de 2017, distribuído em dois turnos integrais, totalizando 24 horas para um grupo de três acadêmicos de enfermagem. Foi realizada a coleta por meio de observação participante, ou seja, observação e ao mesmo tempo prestação da assistência na SRPA ao aplicar a escala de Aldrete e Kroulik³, sendo possível assistir uma média de 3 pacientes por turno no POI, no qual totalizou 12 pacientes no período de coleta. Resultados: O hospital em questão dispõe de 7 leitos na SRPA, com 6 salas operatórias funcionantes; quanto aos recursos humanos, o hospital possui 1 enfermeiro assistencial, 1 enfermeiro coordenador e 1 enfermeiro para prestação da assistência de enfermagem na SRPA, mostrando-se compatível a determinação da SOBECC. O paciente era monitorado em parâmetros de atividade muscular, respiração, circulação, nível de consciência e saturação de oxigênio, parâmetros estes que integram a escala de AK, sendo cada item classificados por meio de escores que variam de 0 a 2, onde o somatório >8 é critério para alta da SRPA. A aplicação da escala ocorreu a cada 15 minutos na primeira hora do POI e depois a cada 30 minutos até a alta do setor para a enfermaria, conforme protocolo estabelecido pelo serviço. Dos 12 pacientes assistidos, 8 apresentaram escores entre 9-10 após 5 horas do procedimento cirúrgico, os outros 4 ficaram sob monitoramento por tempo superior a 5 horas pois obtiveram uma recuperação mais lenta, podendo está relacionada com o tipo de anestesia empregada (anestesia geral), assim como também a dosagem medicamentosa utilizada. Os pacientes assistidos em cada turno precisaram permanecer na SRPA por 5 horas, porém durante esse período foram admitidos mais pacientes, ultrapassando a capacidade de leitos da SRPA. Todos os pacientes foram acomodados de forma que estivessem sobre o campo visual da equipe, com prioridade de ocupação dos sete leitos e monitorização pelos aparelhos aos que apresentavam menor escore na escala AK. CONCLUSÃO: Conclui-se que a escala de AK é uma ferramenta que auxilia positivamente no critério de alta do paciente e que à longa permanência de alguns pode ser justificada pelos procedimentos cirúrgicos de maior complexidade realizados, requerendo anestesia geral.