Higienização das mãos: adesão em centro de material e esterilização
Introdução: Em 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) realizou o lançamento da estratégia multimodal para promoção da higiene de mãos (HM) nos serviços de saúde através do guia “Meus cinco momentos para higiene de mãos” 1;2. Contudo, apesar da estratégia ter como foco abranger todos as áreas de saúde, ainda se encontram “lacunas”, como o centro de materiais e esterilização (CME). O CME é a base funcional no processamento de produtos e é uma área crítica de HM, pois as mãos dos profissionais de saúde estão diretamente em contato com materiais processados estéreis 3. Objetivo: Caracterizar e elaborar uma definição dos momentos específicos de higiene de mãos para os profissionais que atuam no CME. Método: Estudo observacional, realizado no CME de um hospital privado, no período de abril de 2018. Os participantes do estudo foram os profissionais atuantes no CME, nos turnos manhã e tarde. O protocolo do estudo baseou-se na elaboração de um formulário eletrônico em forma de check list para mensuração das oportunidades de HM. As oportunidades de HM foram realizadas através de observação direta, sem intervenção, tendo como avaliadores o Serviço de Controle de Infecção (SCI). Definiu-se os momentos críticos para mensuração das oportunidades de higiene das mãos, separados em momentos obrigatórios e adicionais. Os momentos obrigatórios para higiene de mãos são indicados nas seguintes situações: acesso da unidade ao chegar e ao sair, higienizar as mãos antes e após uso de luvas de procedimento, antes de chegar e ao término do turno de trabalho. E os momentos adicionais para área limpa e de armazenamento foram: antes de empacotar produtos ou dobrar enxoval, antes de receber o enxoval da lavanderia, antes de montar carga de produtos na autoclave, antes de armazenar os produtos processados, antes de retirar a carga da autoclave, antes de manusear produtos processados (procurar um produto na prateleira), antes de distribuir os produtos para as unidades (ex: montar carrinho), antes de manusear embalagens, antes de montar caixas e bandejas, antes de preparar teste Bowie Dick, após atividades administrativas (uso do telefone, computador e papéis), após realizar a desinfecção de bancadas, após a conferência e registro de consignados e após a incubação ou descarte do indicador biológico. Resultados: Foram observadas 30 oportunidades de HM durante as atividades de trabalho. Dos momentos obrigatórios observados 100% (n 6) foi “antes ou após o uso de luvas”, destes apenas 33% (n 2) foram adequadas. Dos momentos adicionais foram: 32,1% (n 9) antes de manusear produtos processados (procurar um produto na prateleira), 25% (n 7) antes de retirar a carga da autoclave, 17,9% (n 5) antes de manusear embalagens, 14,3% (n 3) antes de empacotar produtos ou dobrar enxoval, 7,1% n 2) antes de receber o enxoval da lavanderia e 3,6 (n 1) antes de retirar a carga da autoclave. Destes, o único momento adicional com adesão à higiene de mãos 7,1% (n 2) foi “antes de empacotar produtos ou dobrar enxoval”. Conclusão: As luvas de procedimento são equipamentos de proteção necessários para o profissional de saúde, entretanto, o uso das mesmas não isenta transmissão de microrganismos. Durante a avaliação foi observado o uso excessivo dentro do CME. Este breve estudo evidenciou as oportunidades de melhoria e a necessidade da implementação de estratégia com foco individualizado conforme as atividades e demandas de cada área específica.