89245

Desenvolvimento e Implantação de Protocolo Institucional para Assegurar a Manutenção da Normotermia em Pacientes Cirúrgicos

Favoritar este trabalho

A hipotermia é um estado clínico de temperatura corporal inferior a 36°C. Uma das principais causas da hipotermia é a baixa temperatura mantida na sala de operação, além de outros fatores, como: cirurgias abdominais e torácicas, em que as cavidades corporais permanecem abertas e expostas às baixas temperaturas; infusão intravenosa de líquidos e hemoderivados frios; uso de soluções para irrigação e preparações para a pele frias; tempo de duração da cirurgia e técnicas anestésicas. Também pode ser desencadeada por fatores de risco que predispõem o paciente a desenvolver a hipotermia, como extremo de idade, massa corporal, condição nutricional, estado pré-operatório e condições pré-existentes, como distúrbios neurológicos, doenças crônicas e traumas. Medidas de aquecimento ativo incluem infusão venosa aquecida, irrigação com fluidos aquecidos, uso de colchões de água circulante aquecida e calor radiante, que podem manter a normotermia, quando utilizadas isoladamente ou em combinação com o aquecimento de ar forçado (mantas térmicas). A hipotermia é comum e causa complicações, tais como coagulação e alterações da função plaquetária, aumento da morbidade cardíaca e infecção de sítio cirúrgico, bem como eleva os níveis de incidência de úlcera por pressão.

Objetivos: Estabelecer protocolos institucional que assegure a normotermia do paciente cirúrgico.

Método: Trata-se de um estudo prospectivo observacional. Todos os pacientes cirúrgicos são submetidos ao banho pré-operatório, o sistema de ar condicionado dos quartos fica desligado e o paciente permanece coberto. São realizadas as medidas de temperatura na admissão, pós banho e imediatamente antes do transporte ao Centro Cirúrgico (CC). No CC os lençóis e macas cirúrgicas são aquecidas e o ar condicionado é mantido desligado até que o paciente esteja coberto e posicionado para o procedimento cirúrgico. Nesta fase, são realizadas medidas de temperatura na entrada em sala operatória e após a indução anestésica. No protocolo qualquer infusão intravenosa acima de 500ml/hora deve ser aquecida inclusive os hemoderivados. Ao final do procedimento cirúrgico, o ar condicionado volta a ser desligado, paciente limpo e seco e coberto novamente. Todos os controles de temperatura são registrados no prontuário do paciente e continuam na sala de recuperação anestésica até a alta para unidade de origem.

Resultados: O protocolo institucional de normotermia, foi implantado em setembro de 2015 e atendeu 2165 pacientes até dezembro de 2017. Em 2015, as temperaturas médias dos pacientes foram: 35,9oC na chegada ao leito, 35,9 oC após o banho, 36,0 oC na chegada ao centro cirúrgico e 35,9 oC no início da cirurgia. Ao final da cirurgia a media de temperaturas era de 36,0 oC, mas

logo na chegada da RPA o valor já diminuía para 35,8 oC. Já em 2016 e 2017, apesar de chegarem ao leito com temperatura média de 35,9 oC, 100% dos pacientes chegaram ao CC com temperatura superior a 36 oC e assim permaneceram durante a cirurgia, ao final da cirurgia e na sala de RPA. Foi observado que a evolução no tempo promoveu aumento na adesão por parte da equipe assistencial (cirurgiões, anestesistas e equipe de enfermagem), levando a 0% de hipotermia nos pacientes cirúrgicos da instituição. Além disso, as ações perioperatórias permitiram que as mantas térmicas pudessem ser instaladas apenas nos procedimentos com duração estimada até 90 minutos.

Conclusão: O estudo evidencia que alcançar a normotermia nos pacientes cirúrgicos depende do comprometimento de toda equipe assistencial e de ações sistemáticas e protocoladas.