Controle da água de osmose x qualidade do processo na CME
INTRODUÇÃO: Na CME o processo de limpeza e enxágue dos instrumentais é considerado a etapa mais crítica para garantir a segurança de todo o processo de esterilização1. Com base nisso a qualidade da água utilizada nesse processo não deve aumentar a carga microbiana ou recontaminar com resíduos da própria água utilizada no último enxágue2. Desta forma, a AAMI (Association for the Advancement of Medical Instrumentation)3, definiu que o último enxágue dos produtos críticos deve ser realizado com água de alta pureza, que requer controle de bactérias, endotoxinas, carbono orgânico total, pH, dureza, resistividade, sólidos dissolvidos totais, cloreto, ferro, cobre, manganês, cor e turbidez. Conforme a SOBECC, para obter a qualidade adequada para processamento, há necessidade de tratá-la. A água obtida pelo processo de osmose reversa resulta em uma água ultra pura, pois promove a desmineralização da água forçando a passagem da água através de uma membrana semipermeável, evitando a presença de outros materiais como íons de metais pesados. A recomendação reforça que é necessário um programa de monitoramento físico, químico, microbiológico e manutenção preventiva do sistema com periodicidade. OBJETIVO: Relatar metodologia adotada para coleta e controle das amostras da água de osmose na CME e apresentar o protocolo criado para tomada de decisão após resultados alterados. MÉTODO: O presente trabalho trata-se de um estudo descritivo de relato de experiência. Foi realizado em uma CME de um Hospital Privado de Porto Alegre/RS o qual possui uma produção mensal de 87.600 itens/mês e um quadro funcional de 67 colaboradores ativo. O Hospital acima referido possui sua própria central de tratamento de água de osmose, na qual atende a hemodiálise, CTI Adulto, CTI Pediátrica e CME. Esse sistema passa por uma desinfecção mensal que ocorre em todo o primeiro domingo do mês e após 72 horas ocorre a coleta da amostra de água dos pontos. A CME possui 4 (quatro) torneiras para enxágue e 4 (quatro) equipamentos ligados a água de osmose (sendo 3 lavadoras e 1 autoclave). Para avaliarmos a qualidade da água destes pontos foi construído um protocolo de ações em conjunto com a engenharia clínica, serviço de controle de infecção e lideranças da área, que organizaram parâmetros aceitáveis para cada resultado de coleta dos pontos distribuídos na CME e ações pontuais de acordo com os resultados obtidos. Como rotina é realizado na noite anterior a coleta uma desinfecção dos pontos com hipoclorito realizada por um colaborador da CME. No dia da coleta, é realizada uma nova desinfecção do ponto e a coleta é realizada pelo coletador do laboratório contratado. Após 10 dias da coleta os resultados são enviados via e-mail pelo laboratório, analisados e divulgados em mural específico para ciência de todos quanto a qualidade da água. Os padrões de referência para o protocolo foram usados o da AMMI. Para isso construímos os resultados dos parâmetros normais <10 UFC, até 15 UFC/ml solicitar recoleta e manter o uso do ponto, > 15 UFC/ml solicitar recoleta e bloquear o ponto até se atingir parâmetros seguros. CONCLUSÃO: O controle rigoroso da qualidade da água de osmose na CME nos dá garantia de estarmos realizando o último enxágue dos materiais com uma água de qualidade proporcionando mais segurança ao processo de limpeza dos instrumentais e consecutivamente ao início do processo de esterilização.