88572

Comparação da efetividade do álcool 70% e ácido peracético em ambiente odontológico

Favoritar este trabalho

INTRODUÇÃO
Um dos maiores desafios de cirurgiões-dentistas, pesquisadores e microbiologistas é conseguir prevenir infecção cruzada no consultório odontológico. A transferência de agentes patogênicos da cavidade bucal do paciente para superfícies de equipamentos odontológicos podem ocorrer através de procedimentos que resultem em respingos de saliva ou sangue, contato direto e a partir de instrumentos.
Uma das etapas mais importantes é escolha correta do agente de desinfecção pós atendimento, uma vez que inúmeros agentes químicos podem ser utilizados para essa finalidade. Faz-se necessário conhecer cada um dos produtos quanto: ao mecanismo de ação sobre os microrganismos, toxicidade para o manipulador e ação deletéria para o equipamento a ser desinfetado. Somente a escolha adequada do desinfetante pode proporcionar o sucesso de remoção de microrganismos.
As superfícies limpas e desinfetadas conseguem reduzir em cerca de 99% o número de microrganismos, enquanto as superfícies que foram apenas limpas os reduzem em 80%. Falhas nos processos de limpeza e desinfecção de superfícies podem ter como consequência a disseminação e transferência de microrganismos nos ambientes dos serviços de saúde, colocando em risco a segurança dos pacientes e dos profissionais que atuam nesses serviços.

OBJETIVOS
O objetivo da presente pesquisa foi analisar a eficiência da ação de desinfecção de do ácido peracético e do álcool 70 por cento em duas superfícies da clínicas odontológicas, pós atendimento a paciente na clínica de do Centro Universitário de União da Vitória (UNIUV).
MÉTODO
As amostragens foram realizadas na clínica de odontologia do Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória (UNIUV). Foram selecionadas duas superfícies para coleta: "carter" do equipamento odontológico e superfície frontal externa do refletor. Foram testados para desinfecção de superfícies o ácido peracético, álcool 70% e como controle foi utilizada água destilada. Após procedimentos odontológicos de rotina, foram selecionados nove carters e nove refletores, sendo em três realizada a limpeza com ácido, três com álcool e três com água destilada. Após cinco minutos para a secagem e ação do produto empregado, a coleta foi realizada com swab estéril, utilizando luvas estéreis, que foi imerso em tubos de ensaio estéreis contendo BHI (Brain-Heart Infusion).
RESULTADOS
Nos tubos de ensaio com meio BHI foram observadas diferenças na turbidez das amostras. A cor original do meio é amarelo claro, límpido. Quando há presença de turvação, significa um crescimento de microrganismos. (3) As três amostras de controle da superfície do carter e as três amostras de controle da superfície externa do refletor apresentaram aspecto turvo, que indica a presença de microrganismos. Das amostras de superfícies limpas com álcool 70%, duas apresentaram uma leve turbidez (refletor 3 e carter 3) e quatro se mantiveram límpidas com aspecto amarelo claro transparente. Todas as amostras de superfícies limpas com ácido peracético ficaram límpido transparente, mantendo o aspecto original.
CONCLUSÕES
O desinfetante a base de ácido peracético demonstrou ação eficaz para remoção de microrganismos das superfícies carter e refletor. O ácido peracético é recomendado para desinfecção de alto nível e esterilização de artigos críticos e semicriticos. Possui vantagens como, ser pouco tóxico, não ter efeito residual, ser biodegradável, e ser efetivo na presença de matéria orgânica. O álcool 70 % demonstrou uma eficácia na limpeza de superfícies menor do que do ácido peracético. Contudo, são necessários mais estudos para comprovação da eficiência de desinfecção no ambiente odontológico.