CIRURGIA SEGURA: CONHECIMENTO E PRATICAS DE TÉCNICOS DE ENFERMAGEM
Introdução: Atualmente, o interesse pela segurança do paciente nos serviços de assistência à saúde vem sendo impulsionado pelos resultados de pesquisas que evidenciam o impacto do cuidado inseguro. Nesse contexto, destacam-se os Eventos Adversos (EA) definidos como danos não intencionais decorrentes do cuidado em saúde. Os EA cirúrgicos apresentam grande potencial para ocasionar danos graves, podendo levar à morte e trazer repercussões físicas e emocionais, além de aumentar o tempo de internação e elevar os custos do tratamento1. Para melhorar a segurança do paciente e qualificar a atenção nos serviços de saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em 2004 a Aliança Mundial para a segurança do paciente. Como parte dela, foi instituído em 2008, o programa Cirurgia Segura Salva Vidas, recomendando a utilização de um checklist para melhorar a segurança na assistência cirúrgica2. Estudos demostram que a utilização do checklist reduz as taxas de mortalidade e de complicações entre pacientes cirúrgicos3. Nessa perspectiva, é essencial que os profissionais envolvidos na assistência cirúrgica tenham conhecimento para utilizar o instrumento de forma adequada.
Objetivo: compreender o conhecimento e práticas dos Técnicos de Enfermagem (TE) que atuam como circulantes nas salas de cirurgia sobre cirurgia segura e a aplicação do checklist..
Método: Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, realizado em um hospital de ensino de médio porte. Participaram da pesquisa dez TE que atuam como circulantes de sala no CC. Os critérios de inclusão foram: ser TE do CC e atuar como circulante da sala operatória. O critério de exclusão foi: ser TE que trabalha no setor durante o período noturno. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada com roteiro contendo cinco perguntas abertas. Os depoimentos foram gravados e posteriormente transcritos na íntegra. Para analisar os dados obtidos, foi utilizada a técnica de Análise de Conteúdo. A pesquisa foi autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer nº 57938016.0.0000.5153.
Resultados: Os dados foram organizados em três categorias: “Cirurgia segura na concepção dos TE”, “A prevenção do erro como sinônimo de identificação do paciente e atenção aos parâmetros clínicos” e “Compreendendo o uso do checklist de cirurgia segura: dissonâncias teórico-práticas”. Os TE definiram a cirurgia segura como o cumprimento rigoroso das normas e rotinas durante a realização de suas atividades de circulação de sala, principalmente no que se refere às medidas para a prevenção de infecções. Quando interrogados sobre as práticas utilizadas para a prevenção do erro, não souberam citar medidas de segurança cientificamente comprovadas. Em nenhum momento, os TE citaram o Cheklist como ferramenta para prevenção de EAs. Quando questionados especificamente sobre o uso do Checklist, os TE demonstraram que o instrumento vem sendo preenchido como um documento qualquer que faz parte do prontuário do paciente, não reconhecendo a sua importância na segurança do paciente cirúrgico.
Conclusões: Os TE demonstraram não ter conhecimentos cientificamente fundamentados sobre os aspectos que envolvem a segurança cirúrgica. Esses profissionais têm dificuldade de falar acerca do checklist, não reconhecem o instrumento como ferramenta de prevenção de EAs não sabem utilizá-lo de maneira correta, seguindo os passos sistemáticos conforme preconizado pela OMS. Para que o checklist seja usado da forma correta e atinja seu objetivo é necessário que haja treinamento e capacitação dos profissionais para utilizá-lo.
Palavras-chaves: Lista de verificação. Segurança do paciente. Enfermagem de centro cirúrgico.