Aprovação do paciente no protocolo de manejo da sede perioperatória em sala de recuperação anestésica
Introdução: A sede é um desconforto de alta prevalência no pós-operatório imediato. Este sintoma é desencadeado por fatores relacionados ao preparo cirúrgico e também por aspectos individuais do paciente. O Protocolo de Segurança de Manejo da Sede (PSMS) foi construído e validado com o propósito de elevar o nível de segurança da equipe de enfermagem ao prestar cuidados ao paciente com sede, auxiliando na prática diária, permitindo que o profissional tenha embasamento científico para realizar uma avaliação criteriosa do paciente, determinando a segurança em administrar ou não um método de alivio na sala de recuperação anestésica (SRA). O PSMS é um algoritmo gráfico que inclui os seguintes critérios de segurança: avaliação do nível de consciência, reflexos de proteção de vias aéreas (tosse e deglutição) e ausência de náuseas e vômitos. Quando o paciente não é aprovado em um dos critérios estabelecidos, o processo é interrompido.
Objetivo: Estipular média de tempo entre final do procedimento cirúrgico e aprovação no PSMS, bem como descrever o perfil clínico e demográfico dos pacientes.
Método: Trata-se de um estudo prospectivo, transversal, com abordagem quantitativa, desenvolvido no centro cirúrgico de um hospital de grande porte no período de maio a outubro de 2017 com 203 pacientes de cirurgias eletivas e de urgência. O PSMS foi aplicado no momento de chegada do paciente na SRA e a cada 15 minutos durante 1 hora.
Resultados: Dos pacientes estudados, 50,7% eram do sexo masculino, média de idade de 38 anos. Quanto ao IMC, 37,9% dos pacientes foram classificados como saudáveis e 32,5% como sobrepeso. Predominou-se a classificação ASA II em 59,1%. A duração do procedimento cirúrgico foi em média de 180 minutos e a média de dias de internação foi de 2,57 dias. O tempo de jejum de líquidos foi em média 13 horas e 30 minutos e para sólidos 14 horas e 21 minutos. Quanto ao tipo de anestesia realizada, predominaram bloqueio em 42,9% seguido de anestesia geral em 25,1%. Das medicações utilizadas no transoperatório: Fentanil foi utilizado em 76,8% dos procedimentos, morfina em 62,6%, midazolan em 53,2%, propofol em 47,8%, sevoflurano em 36%, rocurônio em 36%, tenoxicam em 34%, atropina em 21,7% e bextra em 15,8%. A presença de sede foi relatada por 40,4% dos pacientes no momento da admissão na SRA, e a intensidade média foi de 3,27 (DP 3,64). Quanto ao momento da primeira aprovação no PSMS, 57,6% dos pacientes foram aprovados ao chegar na SRA, 9,9% após 15 minutos em SRA, 7,9% após 30 minutos, 6,4% após 45 minutos, 4,4%. Após 1 hora, 13,8% dos pacientes ainda não tinham sido aprovados.
Conclusão: Este estudo demonstra que 75,4% dos pacientes submetidos a anestesia geral ou de bloqueios, são aprovados no PSMS após os primeiros 30 minutos, evidenciando que estratégias de alívio da sede ainda em SRA, podem ser realizadas com segurança. A sede deve ser avaliada, mensurada e tratada, e o PSMS fornece segurança, respaldo científico e autonomia para a equipe de enfermagem realizar os cuidados diante de tal sintoma tão prevalente em pós-operatório imediato.