O Diagnóstico do TDAH a partir da Perspectiva da Subjetividade e seus desdobramentos para a medicalização e patologização

vol. 1, 2019 - 114904
Resumo
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O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, mais conhecido como o TDAH, é um diagnóstico psiquiátrico ligado à falta de atenção, hiperatividade e impulsividade, que compromete diversos aspectos da vida pessoal e social da pessoa, principalmente o desenvolvimento dela (França, 2012; Antony & Ribeiro, 2004). O tratamento indicado para este transtorno é o consumo da ritalina, a “droga da obediência”, dando prioridade ao tratamento farmacológico e médico, o que resulta em um fortalecimento da lógica medicamentosa e patologizante (Decotelli et al, 2013; França, 2012; Guarido, 2007). A medicalização é um fenômeno cultural e político que busca a redução das experiências humanas e dificuldades de aprendizagem em doenças a partir da lógica médica, buscando cada vez mais uma reinserção dos denominados doentes à normalidade imposta pela sociedade (Sanches & Amarante, 2014; Ribeiro, 2014). Neste contexto, é possível ver que este fenômeno desconsidera outros aspectos importantes, como, por exemplo, a dimensão subjetiva, o contexto social, histórico e cultural, o que também indica uma limitação epistemológica, teórica e técnica na forma de conceber e compreender este fenômeno. Uma alternativa para a compreensão deste fenômeno parte da concepção de subjetividade em uma perspectiva histórico-cultural, proposta por González Rey (1997, 2005, 2017), que permite um espaço para discutir os processos subjetivos, os sentidos subjetivos e as configurações subjetivas que estão presentes na concepção de doença, saúde e dificuldade de aprendizagem. Foi utilizado o método construtivo-interpretativo baseado na Epistemologia Qualitativa proposta por González Rey (1997) para realizar um estudo de caso de uma pessoa adulta de 20 anos de idade, com o objetivo de compreender as produções subjetivas relacionadas ao seu diagnóstico de TDAH. A partir da análise e construção da informação foi possível encontrar indicadores de sentidos subjetivos relacionados à patologização enquanto subjetividade social dominante, à dependência no conhecimento médico e à ideia de normalidade. Está pesquisa traz reflexões sobre produções subjetivas que podem favorecer discursos estigmatizados, simplistas e reducionistas, na medida em que a pessoa diagnosticada exclui outras alternativas de subjetivação e valoriza apenas um único tipo de conhecimento. Este fenômeno termina por naturalizar processos humanos em anormalidades que precisam ser corrigidas para que a pessoa seja reinserida em uma sociedade normativa e padronizada. Além disso, surgiram reflexões sobre a banalização do uso de medicamentos, caracterizado pela busca por atalhos para melhorar a performance e alcançar a felicidade. A felicidade se torna uma meta a ser alcançada na medida em que se obtenha as melhores condições de vida (Perreira, 2017), gerando uma tendência a medicalização para potencializar a performance e partir cada vez menos do próprio esforço. A ênfase na subjetividade permite novas reflexões sobre o papel da pessoa e da sociedade na concepção de saúde e doença, além de oferecer novas formas de compreender as dificuldades de aprendizagem. Como podemos trabalhar para superar as concepções dominantes de mal-estar e bem-estar para gerar novas produções de sentidos subjetivos que abrangem a compreensão de saúde, doença e dificuldade de aprendizagem se a sociedade contemporânea se baseia em um único modelo teórico e técnico?

Instituições
  • 1 Faculdade de Ciências da Educação e Saúde / Centro Universitário de Brasília
Eixo Temático
  • 5. Aprendizagem e dificuldades de aprendizagem na perspectiva da subjetividade
Palavras-chave
Medicalização
Patologização
Subjetividade