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Se você NUNCA registrou um DOI no seu Lattes, veja nosso tutorial!Este trabalho tem como objetivo apresentar contribuições metodológicas complexas para a discussão do papel da hipnose na reconfiguração das dores crônicas. Parte-se da articulação entre a hipnose de Milton H. Erickson e a teoria da complexidade de Edgar Morin pautado por base epistemológica que possibilite apoiar a construção de um modelo teórico de potencial explicativo sobre a atuação da hipnose nos processos de dor crônica. Estima-se que 30% da população mundial sofra com dores crônicas, sendo que, especificamente no Brasil, aproximadamente 75% da procura pelo sistema de saúde está relacionada a essa demanda. A literatura especializada concebe a diversidade de tratamentos como proposta diante da complexidade e do caráter refratário da cronicidade, entretanto, a atenção à dor ainda é substancialmente pautada pelo saber biomédico e pela prescrição de medicamentos. Em grande parte, essa visão se deve ao fato de que o paradigma moderno de ciência estabeleceu dicotomias entre corpo-mente, indivíduo-social e controle-autonomia, atuando primordialmente sobre o corpo em detrimento dos processos psicológicos, de um indivíduo isolado do contexto de suas experiências sociais e culturais, numa relação baseada na lógica do controle. A Epistemologia Qualitativa possui um papel importante nessa discussão, pois permite a uma leitura dos processos clínicos sob uma perspectiva complexa e vivencial a partir da relação clínica, de modo que ela permita a inteligibilidade dos processos de mudança na vivência da dor crônica rompendo com a lógica dicotômica. A hipnose, como estratégia psicoterapêutica no cuidado da dor possui um papel importante no que se refere à reconfiguração dos processos de dor crônica, pois possibilita o agenciamento de processos fisiológicos, conscientes e inconscientes com potencial de mudanças clínicas ligadas à dor. Para tanto, a leitura dessa relação sob uma perspectiva complexa lança mão de categorias que permitam a inteligibilidade dos processos singulares vividos por sujeitos acometidos por dores crônicas. Essas categorias compreendidas em tetragrama, holograma e auto-eco-organização oriundas da teoria da complexidade possibilitam uma discussão dialógica que supere as dicotomias tradicionalmente estabelecidas. Por meio dessa base epistêmico-metodológica é possível articular as categorias complexas aliadas aos processos vividos pelos pacientes. Assim, pretende-se que a discussão destaque noções teóricas complexas constituindo não apenas uma contribuição teórica alternativa, mas atendendo exigências epistemológicas, teóricas e metodológicas próprias da atuação da hipnose na reconfiguração da dor. Desse modo é possível compreender a dor como um processo subjetivo e complexo.
Palavras chave: hipnose, complexidade, dor crônica.
Referências
GONZÁLEZ REY, Fernando Luis. Pesquisa Qualitativa em Psicologia-caminhos e desafios. Cengage Learning Editores, 2002.
GONZÁLEZ REY, Fernando Luis. Pesquisa qualitativa e subjetividade: os processos de construção da informação. São Paulo: Thomson 2005.
ERICKSON, Milton H.; ROSSI, Ernest Lawrence. Hypnotherapy: An exploratory casebook. New York: Irvington Publishers, 1979.
MORIN, Edgar; LISBOA, Eliane. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2007.
MORIN, Edgar. O método 5: a humanidade da humanidade, a identidade humana. Porto Alegre: Sulina, v. 312, 2002.
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