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Se você NUNCA registrou um DOI no seu Lattes, veja nosso tutorial!A depressão é uma categoria médica que delimita um fenômeno considerado a principal causa de incapacidades em todo o mundo (Apóstolo, 2011). De acordo com a lógica do modelo biomédico, ela é compreendida como um conjunto de sintomas como: humor triste ou irritável e alterações somáticas que afetam significativamente o funcionamento do indivíduo (DSM-5, 2013). Apesar de o quadro depressivo englobar essas características, a qualidade da experiência de cada pessoa é singular e ultrapassa essa definição de cunho sintomatológico.
A teoria da subjetividade em uma perspectiva histórico-cultural propõe que a saúde mental é um processo em constante desenvolvimento, multidimensional e no qual a pessoa participa da forma ativa e consciente do processo. Dentro dessa lógica, a depressão é gerada quando há a emergência de uma configuração subjetiva que impede a produção de sentidos subjetivos alternativos. A partir disso, é constituída uma organização subjetiva dominante centrada no sofrimento e na improdutividade (González Rey, 1997, 2011, 2013, 2017).
Diante desse contexto, e visando ampliar os estudos acerca da singularidade dos processos subjetivos da pessoa em depressão, este trabalho apresenta um estudo de caso de uma mulher que, ao longo de dez anos, foi diagnosticada com depressão, e que, aos poucos, gerou novos sentidos subjetivos alternativos ao estado de sofrimento em que se encontrava. A partir do método construtivo-interpretativo, foram arquitetadas construções de indicadores, que, articulados, geram inteligibilidade sobre a configuração subjetiva da depressão da participante, a qual encontra-se articulada a diferentes processos de vida, tais como a sua relação familiar, o nascimento de sua filha e a separação de seu marido. Percebeu-se que as produções de sofrimento foram geradas a partir de situações em que ela se sentia incapaz e carente de vínculos afetivos consistentes.
Em relação à emergência de uma nova configuração subjetiva orientada a seu desenvolvimento subjetivo, González Rey (2013, 2017) propõe que novos sentidos subjetivos são gerados quando uma pessoa se posiciona em diferentes contextos e os qualifica de uma nova forma. No caso da participante, alguns processos que favoreceram a produção desses sentidos foram a psicoterapia, a prática de atividades físicas e meditação. Atualmente, ela emerge como agente em contexto de trabalho e em relação conjugal, ampliando sua capacidade de produção subjetiva sobre o vivido e de ação no mundo (González Rey, Goulart e Bezerra, 2016).
Referências
APÓSTOLO, J. et al. Depressão, ansiedade e estresse em utentes de cuidados de saúde primários. Rev. Latino-Am. Enfermagem, 2011.
GONZÁLEZ REY. F.L Subjetividade e saúde: superando a clínica da patología. São Paulo: Cortez, 2011.
GONZÁLEZ REY. F.L. Epistemologia cualitativa y subjetividad. 1 ed. São Paulo: Educ, 1997.
GONZÁLEZ REY. F.L.; GOULART, D.M.; BEZERRA. M.S. Ação profissional e subjetividade: para além do conceito de intervenção profissional na psicologia. v. 39, n. esp, s54-s65, Porto Alegre: Educação, 2016.
GONZÁLEZ REY. F.L.; MARTÍNEZ, A.M. Subjetividade: teoria, epistemologia e método. Campinas, SP: Alínea, 2017.
GONZÁLEZ REY. F.L.; Sujeito e Subjetividade: Uma aproximação histórico-cultural. São Paulo: Cengage Learning, 2013.
MANUAL DE DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICA DE TRANSTORNOS MENTAIS, 2013.
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