Este trabalho foi publicado pelo Galoá e tem um DOI depositado. Para citar este trabalho, use um dos padrões abaixo:
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Se você NUNCA registrou um DOI no seu Lattes, veja nosso tutorial!O candomblé é um movimento social afro-brasileiro gerado à partir das matrizes culturais africanas dos povos sequestrados e trazidos ao Brasil para atuar como mão de obra escravizada. Em um contexto histórico social em que o colonizador português pretendia que as identidades e subjetividades africanas fossem apagadas, o candomblé representou a criação de uma tecnologia de subjetivação que possibilitava a reconstrução das identidades e subjetividades à semelhança do modo de vida que os ancestrais africanos experenciavam antes da diáspora e além disso um local de atendimento às demandas de angústia e sofrimento da população brasileira, papel social que representa até hoje. Sendo esse o resultado da pesquisa de dissertação de mestrado candomblé: caminhos terapêuticos afro-brasileiros (2015), em que se utilizou a epistemologia qualitativa e a metodologia construtivo-interpretativa junto a uma etnografia na produção coletiva dos conhecimentos. Nesse momento o que se propõe é uma nova reflexão sobre os relatos dos adeptos entrevistados que de forma unânime relataram que o principal motivo de adesão ao terreiro era possuir ancestralidade afro-banta. O termo ancestralidade na fala dos sujeitos possui o sentido subjetivo interpretado à partir da cosmogonia do terreiro de que antes de seus nascimentos teriam efetuado um acordo com divindades e entidades espirituais que os guiariam e protegeriam por seus caminhos existenciais e que em algum momento dessa trajetória seriam convocados à aderir à um terreiro de candomblé. E portanto, o conceito ancestralidade é organizador de suas subjetividades no direcionamento ao senso de pertencimento de um grupo, no entanto as teorias de identidade como estão postas, mesmo às que tratam especificamente de identidades étnicas, não possuem abrangência para tal realidade social, o que contribui para se indicar a necessidade de uma revisão epistemológica das teorias acadêmicas como forma de inclusão dos saberes dos povos tradicionais. Em um outro desdobramento da pesquisa, considera-se o fato observado na etnografia de que muitos dos adeptos no momento da adesão ao candomblé faziam uso de medicamentos psiquiátricos e de atendimento clínico em psicologia, e à medida em que se apropriam do universo cultural do terreiro tendem à se utilizar dos cuidados em saúde mental gerados à partir da cosmogonia do terreiro. Indicando que os processos subjetivos que levam ao estabelecimento da saúde mental sofrem influência da cultura na qual o sujeito está inserido e se identifica, e assim o sujeito afro-brasileiro adepto do candomblé encontra em sua cultura uma maior possibilidade de produção de sentidos subjetivos para suas experiências de vida, fator preponderante na produção de saúde mental, podendo o candomblé ser considerado uma etnopsicologia afro-brasileira.
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