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Segundo dados da Organização Mundial de Saúde a desnutrição, assim como o sobrepeso e a obesidade são grandes preocupações na infância e adolescência, pois comprometem o desenvolvimento, e aumenta o risco de desenvolver doenças na fase adulta. O presente estudo realizou a avaliação do estado nutricional de 2046 estudantes de escolas municipais da cidade de Campinas/SP no primeiro semestre de 2025. Foram avaliados dados antropométricos e socioeconômicos dos estudantes de escolas distribuídas em quatro distritos de saúde (40,6% na região suleste, 24,1% na região sudoeste, 18,1% na região noroeste e 17,3% na região sul). Da amostra avaliada 51,3% eram do sexo feminino e 48,7% do sexo masculino, sendo que 75,8% estavam matriculados no ensino fundamental I (idade entre 6 a 10 anos) e 24,2% no ensino fundamental II (idade entre 11 a 15 anos). Com relação à renda familiar, 25,4% dos participantes relataram renda até dois salários-mínimos, sendo 16,2% com renda inferior e 37,5% com renda superior (21,0% preferiram não responder). A avaliação do estado nutricional demonstrou estado de eutrofia em 57,5% dos estudantes, porém 2,9% encontravam-se em magreza, 17,1% sobrepeso e 22,3% obeso, indicando alteração no estado nutricional em metade da população avaliada segundo dados de Índice de Massa Corporal para a Idade. Ressaltamos que 12,8% (262) dos estudantes relataram ter alguma necessidade alimentar especial, incluindo as alergias ou intolerâncias alimentares. Além disso, 75,0% (1535) dos participantes relataram realizar as refeições em casa assistindo televisão, tablete, celular, etc. Os hábitos alimentares e o acesso a uma alimentação saudável é um dos fatores associados ao estado nutricional dos estudantes. Fatores econômicos podem ser decisivos para a escolha dos alimentos consumidos pelas famílias, ressaltando que 41,6% dos participantes do estudo declararam apresentar renda familiar mensal de dois salários mínimos ou menos. O custo de vida na cidade de Campinas é elevado, o que implica um valor elevado também na cesta básica, impactando a manutenção de uma alimentação saudável e variada. Além do acesso os hábitos familiares também influenciam o comportamento alimentar, o qual fica evidente com o uso de telas durante o ato de comer. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda três orientações para a manutenção de uma comensalidade saudável, sendo elas, a regularidade e atenção, escolhas de ambientes adequados e a companhia. Os resultados do presente estudo indicam que a avaliação do estado nutricional deve considerar além dos indicadores antropométricos, variáveis ambientais e sociais.
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