VIGILÂNCIA PÓS-ALTA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Introdução: Devido ao curto período de internação pós cirurgia praticado atualmente, reconhece-se que alguns casos de infecção de sítio cirúrgico (ISC) se manifestam após a alta hospitalar. Objetivo: Analisar as evidências disponíveis na literatura científica sobre a capacidade da vigilância telefônica detectar casos de ISC (SSI). Método: Esta é uma revisão integrativa da literatura. As bases de dados consultadas foram CINAHL; PUBMED; LILACS EMBASE e Scopus. As palavras-chave foram: “post-discharge surveillance, telephone follow-up, telephone surveillance, postdischarge questionnaire, mhealth, telehealth, telemedicine, surgical wound infection, surgical site infection and surgical infection”. Foram incluídos artigos completos sobre a vigilância pós-alta por telefone, analisando pacientes com mais de 17 anos, publicados em inglês, espanhol e português, entre 2000 e 2017. Estudos envolvendo animais e métodos de vigilância pós-alta para outros tipos de topografias infecciosas ou especialidades não hospitalares, projetos de pesquisa, tais como relatos de casos, estudos de caso, abordagens qualitativas e revisões narrativas foram excluídos. Resultados: Foram encontrados 1852 artigos, dos quais 12 preencheram os critérios de inclusão. Destes, a maioria abordou várias especialidades na mesma pesquisa (50%), seguida pela especialidade de ginecologia e obstetrícia (41,6%) e ortopedia (33,3%). O desenho mais adotado foi o observacional (91,6%), com ênfase em estudos prospectivos de coorte. O número de pacientes analisados nesses estudos variou de 109 a 4.665. Os critérios adotados durante a vigilância pós-alta seguiram os recomendados pelas diretrizes internacionais. Apenas 25% dos estudos descreveram a sensibilidade do método testado, com resultados de 100%, 73,3% e 69,6%. A especificidade foi descrita em 16,6% dos estudos, com valores conflitantes, variando entre 100% e 7,4%. A maioria (66,6%) detectou, através do método de vigilância telefônica pós-alta, entre 2% e 10% de seus casos de infecção. Conclusão: Conclui-se que o método de vigilância telefônica pós-alta tem sido utilizado com boa porcentagem de capacidade de detecção e sensibilidade para casos ISC. Conflito de interesses: Não declarado. Implicações para a prática clínica: A busca de melhores métodos de vigilância pós-alta implica em um melhor planejamento orçamentário e de gestão para o hospital ou instituição, além de aprimorar os cuidados prestados ao paciente.
Descritores: Vigilância pós-alta; Infecção da Ferida Operatória; Sistema de Vigilância por Inquérito Telefônico.
Métodos de vigilância pós-alta: Sensibilidade e especificidade da vigilância telefónica.