SAÚDE MENTAL DAS MULHERES NEGRAS

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Resumo

O adoecimento psicológico de mulheres negras é um fenômeno complexo, marcado pela sobreposição de opressões de raça, gênero e classe, que intensificam vulnerabilidades e limitam o acesso a suporte adequado. Apesar disso, observa-se uma escassez de estudos na literatura nacional que articulem essas intersecções de forma aprofundada, o que reforça a necessidade de ampliar o debate e aprofundar a compreensão sobre os fatores que impactam a saúde mental desse grupo. Dessa forma, este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura nacional, os principais fatores que influenciam o adoecimento psicológico de mulheres negras, com ênfase na perspectiva interseccional. Buscou-se identificar quais elementos afetam sua saúde mental e quais estratégias de enfrentamento são por elas utilizadas. Para isso, foi adotada uma abordagem qualitativa, que possibilitou a síntese do conhecimento produzido sobre a saúde mental de mulheres negras no contexto brasileiro. Foram selecionados nove estudos que compuseram o portfólio final, submetidos à análise qualitativa e articulados com autores relevantes no campo dos estudos de gênero e raça. Os estudos analisados convergem ao demonstrar que a construção da identidade racial, o fortalecimento subjetivo e a participação em redes coletivas e movimentos sociais são estratégias fundamentais de enfrentamento e ressignificação do sofrimento, promovendo resistência e saúde mental. Por outro lado, a persistência da autoimagem negativa, do auto-ódio racial e da solidão afetiva revela a profundidade dos impactos do racismo na subjetividade dessas mulheres, agravados pela exclusão nos serviços de saúde e pela atuação histórica da Psicologia tradicional como prática excludente. Os resultados indicam que mulheres negras enfrentam múltiplos desafios relacionados ao racismo, ao sexismo e às desigualdades sociais, fatores que contribuem significativamente para o adoecimento psicológico. No entanto, destacam-se também estratégias de enfrentamento e resistência desenvolvidas por essas mulheres, como o fortalecimento da identidade racial, a participação em redes coletivas, o aquilombamento simbólico e a religiosidade. Tais estratégias promovem resiliência, favorecem a ressignificação do sofrimento e transformam experiências individuais em narrativas coletivas de luta por direitos. O estudo reforça a importância de políticas públicas e práticas de cuidado em saúde mental sensíveis às especificidades das mulheres negras no Brasil.

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Instituições
  • 1 Universidade Tiradentes (Unit)
Eixo Temático
  • Psicologia Social
Palavras-chave
Interseccionalidade
Mulheres negras
Saúde mental