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O trabalho de cuidado refere-se a um conjunto de atividades essenciais para a manutenção da vida, do bem-estar individual e coletivo. Entre essas atividades, destacam-se o trabalho doméstico, a criação e educação de filhos, a assistência física e emocional a familiares, entre outras demandas. Historicamente, esse trabalho foi atribuído majoritariamente às mulheres, que dedicam quase o dobro do tempo em relação aos homens às tarefas de cuidado não remunerado. Essa desigualdade impacta diretamente as possibilidades de inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho formal, além de afetar a invisibilidade social, econômica e política dessas atividades. O acúmulo dessas funções também traz repercussões em fatores psicossociais nessas trabalhadoras, como estresse e a sobrecarga. O objetivo deste estudo foi compreender as percepções e vivências de mulheres universitárias acerca do trabalho de cuidado. A metodologia adotada consistiu na realização de uma roda de conversa com sete mulheres do curso de Psicologia de uma universidade pública, criando um espaço de troca de experiências, escuta e reflexão sobre o tema. Foram aplicadas perguntas norteadoras e, posteriormente, os relatos foram registrados em diários de campo, os quais passaram por uma análise de conteúdo para identificação de categorias e significados, permitindo a interpretação sistemática das falas. Os resultados revelaram categorias como “Coisa de menina”, evidenciando a naturalização do cuidado como atributo inato das mulheres desde a infância, e “Estresse da cuidadora”, que destacou os impactos emocionais, como culpa e exaustão, relatados pelas participantes. As discussões indicam que o trabalho de cuidado, embora essencial à manutenção da vida, permanece desvalorizado e marcado por desigualdades de gênero. A experiência da roda de conversa mostrou-se potente como metodologia participativa para dar visibilidade a vivências silenciadas, fortalecendo a consciência coletiva e fomentando o desejo de mudança na divisão do trabalho de cuidado. Conclui-se que é urgente legitimar o valor econômico e social do cuidado, bem como fomentar políticas públicas que promovam a corresponsabilização e a equidade de gênero, garantindo maior justiça social.
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