“Não quer nada com a hora do Brasil”: Psicologia e educação a partir do estigma

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Resumo

Esse estudo visa discutir questões referente às adversidades enfrentadas por crianças negras, diante de estigmas vivenciados nas escolas perpetuados em “ditados populares". Objetiva-se investigar em que medida os estigmas disfarçados em “ditos populares” interferem no aprendizado de estudantes negros na escola. Com revisão de artigos na área de psicologia social, escolar, antropologia, sociologia, pedagogia foi possível constatar alguns dos diversos atravessamentos causados pelo estigma no desenvolvimento e reconhecimento do estudante na escola. A relevância se dá por buscar desde os ditos populares até os referenciais bibliográficos os atravessamentos estigmatizantes a partir da oralidade, esta, que para os povos negros e diaspórico é uma das fontes que garantem o modo de vida e liberdade de povos. Logo, sendo o estigma um dos aspectos mobilizadores do racismo na sociedade brasileira, comprova-se então sobre tal afirmativa, a necessidade do estudo. Metodologicamente esse estudo segue na pesquisa qualitativa, bibliográfica, abordando como um dos resultados que os estigmas projetados aos estudantes nas escolas, e em outras ambiências, interferem no desenvolvimento social do estudante acompanhando-os por gerações. Alguns autores que embasaram esse estudo foram HOOKS (2017); MUNANGA (2008); NOGUEIRA (2021); PATTO (2014); WOODSON (2021) e outros autores. Na busca para compreender o ditado popular “não quer nada com a Hora do Brasil", seguimos o percurso histórico desde a década de 30 com a criação do Programa nacional Hora do Brasil, tendo transmissão obrigatória para todo o país, em horário nobre, e exibição diária nas rádios e televisões. Nas escolas é comum ouvir a descrença, de pelo fato de não seguir o cronograma euro educacional replicado por escolas brasileiras, o estudante recebe o título de não querer estudar, recebe rótulos marginalizados. Mas diante de tamanha descrença, como respeitar as diferenças etnoculturais? Os atravessamentos sociais, a pobreza, fome, desemprego, devem ser considerados. Caso contrário, aprisiona os estudantes tidos “não querem nada com a Hora do Brasil” de periculosos a insignificante. Enfrentar o que a décadas vem sendo praticado, solicita intervenção prática-teórica. Não podemos confundir bullying com racismo. Não basta somente saber o que se passa na escola, mais sim, saber e buscar transformá-la. Torna-se necessário refletir antes da reprodução de qualquer fala e comportamento para que cada um seja percebido por suas afirmativas e não definições estereotipadas. Desse modo, a escola deve buscar como alicerce respeitar cada aluno na sua singularidade, contribuindo para que o aprendizado aconteça de forma transformadora a partir de suas percepções e experiências.

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Instituições
  • 1 UFBA
Eixo Temático
  • Psicologia e Educação
Palavras-chave
Psicologia
Educação
Relações étnico-raciais