DESCONSTRUINDO PRECONCEITOS E MORALIDADES INTERSECCIONAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM AULAS DE PROJETO DE VIDA NO ENSINO MÉDIO

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Resumo

Este relato de experiência aborda práticas pedagógicas desenvolvidas no componente curricular Projeto de Vida, com turmas do ensino médio em uma escola de rede privada, com ênfase em estratégias para a construção de pensamento crítico diante de temas como preconceito, racismo, empatia e moralidade. Ao ser convidado a lecionar, o desafio inicial foi romper com abordagens tradicionais ou discursos motivacionais, reconhecendo que o contexto juvenil atual é entrecruzado por tensões entre a autoridade docente e demandas por autonomia discente, sobretudo em uma geração influenciada por uma cultura digital marcada pelo imediatismo, pela busca de visibilidade e pela economia de esforço. A proposta adotada foi provocar os alunos por meio de experiências estruturadas em torno da escuta, do questionamento e da reflexão ativa. Fundamentado nas contribuições psicossociais do livro "O animal social” (ARONSON et al., 2023), o planejamento envolveu atividades que levassem os estudantes a confrontar suas próprias convicções e julgamentos automáticos. No primeiro ano, foi realizada uma dinâmica em que os estudantes, com os olhos vendados, deveriam descrever personagens a partir de pistas verbais. A atividade revelou estereótipos fortemente associados a profissões, raça e gênero, permitindo desnaturalizar padrões imagéticos coletivos. No segundo ano, propôs-se uma roda em que os participantes, também vendados, deveriam expressar verbalmente um sentimento por meio de uma única palavra. A atividade teve início com a escolha espontânea de ofensas, que foram intensificadas coletivamente, expondo como o grupo reproduzia agressões com entusiasmo, mesmo sem estímulo externo direto. A devolutiva posterior, ao conectar as palavras a vivências pessoais, possibilitou um momento de introspecção e reconfiguração do olhar sobre o outro. No terceiro ano, o uso intencional de uma notícia falsa sobre sequestro de crianças para rituais de magia negra serviu como fomento ao debate sobre justiça e linchamento, sendo posteriormente revelado que o caso havia levado ao assassinato de uma mulher inocente. A experiência sensibilizou os estudantes, revelando o quanto os julgamentos morais podem ser moldados por informações incompletas e pela empatia seletiva. As reações iniciais de apoio à violência foram substituídas por silêncio, espanto e revisão de posicionamentos. O conjunto das experiências demonstrou que estratégias pedagógicas, que confrontam o senso comum, podem ser mais eficazes do que exposições teóricas isoladas na promoção da reflexão crítica. Conclui-se que o espaço escolar deve promover ações que articulem afeto, cognição e ética, abrindo caminhos para a formação de sujeitos conscientes de seus preconceitos e responsáveis por suas escolhas morais.

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Instituições
  • 1 Universidade Estácio de Sá
Eixo Temático
  • Psicologia e Educação
Palavras-chave
Preconceito
Moralidades
Educação crítica