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O presente estudo descreve um relato de experiência com um grupo temático que tinha como foco questionar as construções de identidades raciais por meio de uma perspectiva antirracista. A atividade grupal teve como público-alvo pessoas racializadas em situação de vulnerabilidade social residentes e beneficiárias de uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) na cidade de Aracaju, Brasil. Este trabalho tem como referencial as obras de Jacob Levy Moreno, de Abdias Nascimento e de Alberto Guerreiro Ramos como ferramentas de descolonização da construção identitária. Ressalta-se as contribuições do Psicodrama e do Teatro Experimental do Negro (TEN) em psicoterapias grupais e em práticas antirracistas com impactos comunitários. A intervenção grupal foi conduzida por uma mulher negra e realizada com outras oito mulheres, sete delas eram cis e uma era trans, todas participantes voluntárias do processo grupal e que consentiram com a sua apresentação em eventos acadêmicos desde que fosse mantido o anonimato das suas identidades. Durante a intervenção, se assomaram relatos que evidenciam as intersecções entre preconceitos e discriminações de raça, de gênero, de classe social, de escolaridade e de condições de moradia, explorando a impossibilidade de resumir um sujeito a uma só categoria quando a sociedade não faz o mesmo. Mulheres negras, grupo que geralmente não é foco de políticas e debates feministas ou antirracistas, acabam por ser invisibilizadas não só pela sociedade em si, mas também dentro dos diferentes grupos minoritários aos quais pertencem, tornando-as um público que necessita de atenção psicossocial e de cuidado, mesmo sendo elas referências históricas do cuidar. O aspecto histórico do racismo e da exploração da mulher negra no Brasil também foi tema do encontro no qual as mulheres percorreram juntas a história de sua raça desde a chegada do primeiro navio negreiro no Brasil colônia, aos ônibus lotados dos dias atuais. Os compartilhamentos provaram o benefício do encontro para suas participantes, que se sentiram confortáveis em relatar, dispostas a ouvir e acolher, apoiando umas às outras durante o processo de aquilombamento, fortalecimento da identidade e preservação da memória e ancestralidade,e assim fazendo dele uma caminhada conjunta e não mais solitária.
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