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INTRODUÇÃO
O final da graduação é um período considerado importante para os estudantes que estão em fase de transição da universidade para o mercado de trabalho, principalmente pelo aumento considerável de demandas acadêmicas, tais como os estágios e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Nesta etapa, espera-se que o universitário coloque em prática um conjunto de conhecimentos construídos ao longo da graduação, estes relacionados às matérias de estudo e conhecimentos técnicos, quanto ao desenvolvimento de habilidades sociais. Conforme Chemin (2020), o TCC é um pré-requisito para a conclusão de cursos, especialmente para níveis de graduação e de especialização, sendo visto como um trabalho elaborado e complexo, de caráter técnicos e ou científicos sob a coordenação de um professor orientador.
Deste modo, os componentes curriculares de final de curso, em especial, de TCC podem gerar sentimentos de angústias e ansiedade nos estudantes pelos desafios e expectativas relacionados a essa produção. Por isso, ressalta-se a importância de serviços e profissionais voltados ao planejamento e oferta de ações na universidade aos estudantes. De acordo com Bardagi e Hutz (2014), a Instituição de Ensino Superior (IES) tem um papel fundamental na formação integral do estudante, além das questões acadêmicas, com um olhar ampliado e sensível.
A demanda para criar um grupo de acompanhamento aos estudantes que estão na fase de finalização do curso foi identificada a partir de uma oficina anterior promovida por esse mesmo setor da IES no ano de 2021, em que os participantes sugeriram que a Universidade ofertasse mais encontros por ser um momento do curso considerado importante. Desta forma, objetiva-se com este trabalho apresentar uma proposta de intervenção multiprofissional (psicologia, psicopedagogia e letras) que visa oferecer um espaço de acolhimento e aprendizagens para os estudantes que estão realizando o TCC no semestre vigente.
MÉTODO
Este trabalho é um relato de experiência de uma estudante do curso de Psicologia que realiza seu estágio básico obrigatório em um setor da IES que é exclusivo para acompanhamento da jornada do estudante. Este projeto será desenvolvido por em quatro etapas: 1) Identificação da demanda; 2) Planejamento e organização das ações; 3) Execução da proposta; 4) Avaliação.
A proposta de intervenção intitulada: “TCC e agora?” objetiva ofertar quatro encontros na modalidade virtual, no primeiro semestre de 2022, para todos os estudantes que estão matriculados nas disciplinas de TCC. As oficinas ocorrerão de forma gratuita e com duração aproximada de uma hora cada atividade, de forma quinzenal. O convite será enviado através do endereço eletrônico, com apoio de divulgação dos coordenadores de curso e professores das respectivas disciplinas.
Os encontros terão temas pré-definidos organizados da seguinte forma: 1) Apresentação e acolhimento dos participantes, explanação sobre a proposta de intervenção, levantamento das demandas; 2) Gerenciamento de tempo e organização dos estudos; 3) Escrita acadêmica: normas, referências; e 4) Habilidades Sociais e Emocionais frente ao TCC, compõem o fechamento do grupo.
Dentre as técnicas e ferramentas a serem utilizadas, estão: rodas de conversa; materiais expositivos e interativos por meio de aplicativos; orientações; psicoeducação; e técnicas de relaxamento para o estudante colocar em prática em seu processo de construção do TCC. Esta proposta de intervenção será analisada através da Análise Institucional, proposta por Baremblitt (2002) e avaliada pelos retornos de satisfação dos estudantes-participantes que tiverem participado de no mínimo um encontro através de um formulário virtual.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Partimos da premissa de que é fundamental o profissional da Psicologia inserido em um contexto institucional-organizacional, ouvir, acolher e problematizar demandas identificadas ou recebidas, levando em consideração o contexto e subjetividades (GUIRADO, 2009). Portanto, considera-se que “intervir” significa tornar-se mediador, ser ou estar presente, assim como Baremblitt (2002) presume o campo de intervenção com atividades tanto de análise como de estratégias, logística, tática e técnica a fim de transformá-lo.
Diante do exposto, o acompanhamento da trajetória acadêmica dos estudantes vem se mostrando um campo promissor de pesquisas e estudos, principalmente pela necessidade de desenvolver e aprimorar habilidades para além do conhecimento técnico na formação profissional, fundamentando a relevância do projeto em uma visão coletiva e multidisciplinar. De acordo com Otenio et al. (2008), o trabalho multidisciplinar é entendido como a integração de diversas áreas do saber, ocorre a interação entre diversos profissionais de diferentes áreas do conhecimento, em prol de uma atividade, neste caso uma intervenção, que não seria produzida por nenhum dos profissionais isoladamente. Além disso, a proposta é baseada no conceito de grupo operativo em formato aberto - conjunto de pessoas que se juntam em busca de um objetivo comum (ZIMERMAN, 2007).
Dentre as habilidades que visam ser desenvolvidas nos encontros, destacam-se: a organização, autonomia, comunicação oral e postura ética para apresentação, e inteligência emocional; que irão auxiliar tanto no desempenho acadêmico durante a construção do TCC quanto em promover bem-estar perante um momento de maior cobrança, angústia e ansiedade, como este de finalização de um curso (BAUTH et al., 2019).
Propor esta intervenção para universitários em fase final de curso torna-se desafiador por ser um momento acadêmico em que a disponibilidade dos estudantes para atividades extracurriculares seja de forma mais restrita. Ademais, espera-se a adesão dos estudantes à proposta do grupo, não necessariamente pela quantidade de participantes, mas de realmente fazer sentido para os que estiverem presentes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acredita-se que esta proposta de intervenção se mostra potente visto que encontram-se poucos estudos que mostram práticas multidisciplinares de Psicologia, Psicopedagogia e demais áreas de conhecimento no que se refere ao apoio especializado ao estudante universitário. Dessa forma, essa atividade apresenta o seu valor ao acolher e acompanhar estudantes propondo momentos de escuta, de aprendizagens e orientações, em demandas relacionadas à etapa de conclusão de seus respectivos cursos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARDAGI, Marucia; HUTZ, Claudio Simon. Evasão universitária e serviços de apoio ao estudante: uma breve revisão da literatura brasileira. Psicologia Revista, [S. l.], v. 14, n. 2, p. 279–301, 2014. Disponível em: <https://revistas.pucsp.br/index.php/psicorevista/article/view/18107>. Acesso em: 25 fev. 2022.
BAREMBLITT, Gregório. Compêndio de análise institucional e outras correntes: teoria e prática. 5. ed. Belo Horizonte: Instituto Félix Guattari, 2002.
BAUTH, Murilo Freitas et al. Avaliação das habilidades sociais de universitários ingressantes e concluintes. Contextos Clínic, v. 12, n. 1, p. 104-123, 2019. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-348220.... Acesso em: 03 Mar. 2022.
CHEMIN, Beatris Francisca. Manual da Univates para trabalhos acadêmicos: planejamento, elaboração e apresentação. 4. ed. Lajeado: Editora Univates, 2020.
GUIRADO, Marlene. Psicologia Institucional: o Exercício da Psicologia como Instituição. Interação em Psicologia, v. 13, n. 2, p. 323-333, 2009. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/viewFile/9447/11377. Acesso em: 18 Mar. 2022.
OTENIO, Cristiane C. M. ; et al. Trabalho multiprofissional: representações em um serviço público de saúde municipal. Saúde e Sociedade, v. 17, n. 4, p. -, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/HfDT6wMvTHcBRW7GSvRh5Nz/?lang=pt. Acesso em: 18 Mar 2022.
ZIMERMAN, David E. Fundamentos básicos das grupoterapias. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
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