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A IMPORTÂNCIA DE PROGRAMAS DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E DE CARREIRA COMO FATOR PREVENTIVO NAS UNIVERSIDADES
Palavras-chave: Orientação Profissional; universitários; evasão.
INTRODUÇÃO
A orientação profissional (OP) vem sendo utilizada com alunos concluintes do ensino médio, visando trabalhar perguntas relativas à escolha de um curso universitário e, consequentemente, da futura profissão. Porém, nos últimos anos, tem se percebido uma grande evasão de alunos no ensino superior, o que poderia influenciar que as questões relativas ao futuro profissional dos jovens não se esgotam ao entrar na universidade. Desta forma, realizar um trabalho de OP no âmbito universitário pode ser uma iniciativa importante para garantir que os estudantes tenham feito escolhas responsáveis e conscientes e que desenvolvam estratégias para maximizar seu sucesso acadêmico e profissional (BASTOS et al., 2017).
O trabalho em companhia entre o orientador profissional e os atores das instituições de ensino superior têm mostrado uma estratégia vantajosa de aproximação dos estudantes de ensino médio. A necessidade desta parceria é evidente, pois traz benefícios tanto para novos universitários quanto para os professores das universidades que eventualmente mencionam a precocidade dos alunos recém-ingressados (SILVA, FARIA, FOCHESATO, 2017).
A OP tem como objetivos contemplar as pessoas dos conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para poder planejar e desenvolver a tomada de decisões sobre formação e emprego, que acontece durante toda a vida. O orientador profissional precisa adquirir a formação necessária para trabalhar com conhecimento de causa e conseguir desempenhar seu papel de propulsor desta mudança. O que se espera, sobretudo, é uma orientação que possa ser ao mesmo tempo crítica, integradora e libertadora (OLIVEIRA, 2017).
O presente trabalho tem como objetivo destacar a importância de programas de OP no contexto universitário, com ênfase em uma ação de promoção e prevenção de repertórios acadêmicos e profissionais.
MÉTODO
A pesquisa realizada caracteriza-se como uma breve análise da literatura, com abordagem qualitativa. Os estudos têm relação com a pesquisa de mestrado acadêmico da autora, onde a proposta interventiva teve como foco a prática on-line da orientação profissional com estudantes pré-vestibulandos. Surgiu, então, um interesse em explorar os campos de atuação da OP no contexto universitário. Os bancos de dados consultados foram o Scholar Google, PePsic e SciElo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em um levantamento realizado pelo Instituto Semesp, a taxa de evasão no primeiro ano de cursos presenciais de graduação no ensino superior público em 2019 ficou em 14,3%. No geral, a taxa de evasão em qualquer período do curso ficou em 18,4%. Já em uma pesquisa realizada pelo INEP em 2016, por volta de 56% de estudantes universitários acabam desistindo ou trocando de curso no decorrer da graduação.
Esses dados trazem algumas questões: que expectativas tem quem ingressa em um curso superior no Brasil? Que sentidos estão atribuídos na mudança de universidade-trabalho? Essas questões necessitam ser postas em dúvida e discussão na intenção de adquirir conhecimento para preparar e orientar universitários brasileiros no processo de transição de universidade-trabalho (OLIVEIRA, DETOMINI, MELO-SILVA, 2013).
A sobrecarga de novas vivências e responsabilidades durante a fase de transição do indivíduo da adolescência para a vida adulta pode trazer repercussões para a experiência acadêmica. Uma das razões que faz com que o estudante interrompa a graduação é a sua não identificação com o mesmo e a evasão pode ser consequência de múltiplos fatores, tanto pessoal, sociocultural, econômica e/ou institucional (BASTOS et al., 2017; CARLESSO, 2020).
A OP para alunos universitários pode se consolidar em vários caminhos. É possível oferecer esse trabalho a estudantes que estejam iniciando o curso superior, àqueles que já estejam no decorrer do curso e também aos concluintes do ensino universitário, de forma que todas as etapas da passagem pela universidade sejam apoiadas e contempladas. Como ações, inclusive, para combater o fracasso e o abandono acadêmico, a prevenção da evasão universitária, além de ajudar no desenvolvimento de atitudes, habilidades e competências que podem contribuir para a flexibilidade no currículo (ALBUQUERQUE, 2012; BASTOS et al., 2017; OLIVEIRA, 2017).
Em um serviço de atendimento psicossocial da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), os estudantes universitários atendidos pelo programa relataram várias demandas como: necessidade de maior organização do tempo de estudos; orientação profissional; conflitos resultantes da insatisfação com o curso e da dúvida em manter a opção escolhida; dificuldades de planejar a vida, relacionamento interpessoal docente-discente, incluindo, também, questões relacionadas com as expectativas profissionais e pessoais (NEVES et al., 2019).
Faz-se necessária, então, a ampliação dos conhecimentos que possam auxiliar as práticas que se propõem a orientar os universitários para que consigam fazer uma transição bem-sucedida do sistema acadêmico para o sistema produtivo, levando em consideração as implicações dessa etapa da carreira para o desenvolvimento pessoal e profissional seguinte (OLIVEIRA, DETOMINI, MELO-SILVA, 2013).
A natureza educativa e preventiva de programas de OP representa a necessidade da pessoa de ser protagonista do processo de orientação. A OP estimula as pessoas a serem autônomas e ativas, que possam desenvolver sua própria autonomia e construir o seu projeto profissional (ALBUQUERQUE, 2012).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Programas de orientação profissional e de carreira no contexto universitário possibilitam ações de prevenção e promoção de aspectos inerentes ao cenário acadêmico. As altas taxas de evasão, desistência e transferência de cursos indicam uma possível demanda para o trabalho de questões como o autoconhecimento, perspectiva de futuro, inserção no mercado de trabalho, escolha de estágios obrigatórios, especializações em áreas de interesse, entre outros.
Faz-se necessária essa aproximação entre universidade e estudantes para além de aulas e atividades avaliativas. O desenvolvimento de ações de acolhimento, adaptação, assim como pensar na expansão de núcleos de apoio, a capacitação de profissionais habilitados e estudantes em seus estágios de orientação profissional para atender essas demandas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBURQUERQUE, L. C. C. Necessidades de orientação profissional de estudantes da Universidade Federal de Rondônia. 2012.
BASTOS, J. C. et al. Auxílio psicológico para estudantes universitários: uma nova proposta de atuação da orientação profissional. Revista de trabalhos acadêmicos–universo juiz de fora, v. 1, n. 5, 2017.
CARLESSO, J. P. P. Os desafios da vida acadêmica e o sofrimento psíquico dos estudantes universitários. Research, Society and Development, [S. l.], v. 9, n. 2, p. e82922092, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i2.2092. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/2092.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Censo de Educação Superior. Brasília: MEC, 2016.
NEVES, A. L. M. et al. SAÚDE MENTAL E UNIVERSIDADE. Trabalho (En) Cena, v. 4, n. 2, p. 531-542, 2019. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/encena/article/view/748...
OLIVEIRA, M. C.; DETOMINI, V. C.; MELO-SILVA, L. L. Sucesso na transição universidade-trabalho: expectativas de universitários formandos. Psicol. rev. (Belo Horizonte), Belo Horizonte , v. 19, n. 3, p. 497-518, 2013 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-116820....
OLIVEIRA, N. C. P. A prática da orientação profissional na universidade: um estudo numa universidade portuguesa. 2017.
SEMESP. Sindicato das Entidades Mantenedoras do Ensino Superior de São Paulo. Mapa do Ensino Superior, 2021. Disponível em: <https://www.semesp.org.br/mapa-do-ensino-superior/edicao-11/dados-brasil....
SILVA, M. B.; FARIA, R. R.; FOCHESATO, I. C. A. A orientação profissional (OP) como elo entre a universidade e a escola. Psicologia Argumento, [S. l.], v. 30, n. 68, 2017. DOI: 10.7213/psicol.argum.5881. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/psicologiaargumento/article/view/19757.
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