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Introdução: A doença de Chagas (DC), causada pelo Trypanosoma cruzi, é uma enfermidade crônica com manifestações cardíacas, digestivas e neurológicas. A evolução para miocardiopatia chagásica frequentemente leva à insuficiência cardíaca (IC) grave, cujo tratamento mais efetivo, em casos refratários, é o transplante cardíaco (TC). A pandemia de COVID-19, trouxe limitações para transplantes devido à escassez de leitos, redução na captação de órgãos e risco aumentado de infecção em pacientes imunossuprimidos. Objetivo: Analisar o perfil de saúde e os desfechos clínicos de pacientes com DC submetidos a TC em 2019 e 2020, identificando diferenças associadas ao contexto da pandemia de COVID-19. Método: Estudo quantitativo, prospectivo e não concorrente, realizado com 25 pacientes maiores de 18 anos, diagnosticados com DC e submetidos a TC em um centro de referência do Distrito Federal entre janeiro de 2019 e dezembro de 2020. Foram excluídos indivíduos com disfunção primária do enxerto, dados incompletos ou etiologia não chagásica. As análises estatísticas foram conduzidas no BioEstat® 5.3, utilizando média e desvio padrão para comparação das variáveis entre os anos. CEP: parecer nº 6.572.055; CAAE nº 67392523.8.0000.0026. Resultados: O tempo médio de espera pelo transplante foi de 106 dias em 2019 (DP = 92) e de 233 dias em 2020 (DP = 240). A idade média foi de 52 anos em ambos os anos (DP = 9 em 2019; DP = 10 em 2020). O perfil predominante foi de homens, pardos, casados/união estável, baixa escolaridade e procedentes de estados endêmicos (Bahia, Goiás, Minas Gerais). A mortalidade em 2019 foi de 46%, tendo a infecção como principal causa (66%). Em 2020, a taxa foi de 41%, predominando choque circulatório (80%). Nesse ano, 25% dos transplantados contraíram COVID-19 após o procedimento, apresentando ainda novas comorbidades, como hipertensão e diabetes tipo 2. Observou-se redução de condições como acidente vascular cerebral, pré-diabetes, dislipidemia, infarto e insuficiência renal não dialítica. Conclusões: A DC permanece entre as principais indicações de TC no Brasil, com sobrevida semelhante a outras etiologias quando há controle da reativação, conforme a III Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco. Em 2020, houve aumento do tempo em lista, ocorrência de COVID-19 no pós-TC e mudança nas principais causas de óbito. Esses achados refletem o impacto da pandemia, em consonância com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, que registrou queda de 16,7% nos transplantes cardíacos e maior mortalidade em lista de espera.
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